A invernada mirim do CTG M’Bororé, de Campo Bom, voltou a fazer história no tradicionalismo gaúcho. No último final de semana, em Santa Maria, na região Central do Estado, o grupo conquistou o título de campeão das Danças Tradicionais na Força A do 30º FestMirim, garantindo o hexacampeonato da competição. A conquista veio um ano depois de o grupo levantar o troféu pela quinta vez, em 2025.
A competição reuniu 43 grupos na fase classificatória, realizada na sexta-feira e no sábado. Destes, 23 avançaram para a finalíssima, no domingo (6), quando o M’Bororé voltou ao tablado para defender o título conquistado no ano anterior.
Com 32 integrantes, entre peões e prendas, a invernada vinha se preparando para o festival desde o ano passado. Foram meses de ensaios, pesquisas e preparação para apresentar um trabalho que envolveu não apenas as danças, mas também a escolha do tema, a indumentária, as coreografias e uma série de detalhes.
Além do primeiro lugar nas danças tradicionais, o M’Bororé também obteve destaque em outras categorias. O grupo conquistou a quinta colocação na Melhor Criação Coreográfica, com a coreografia de entrada, o nono lugar com a coreografia de saída e a sexta posição em Melhor Indumentária.
Para a coreógrafa Tainá Campagnoni, o resultado é fruto de um trabalho coletivo que envolveu crianças, famílias e toda a equipe. “Estamos muito felizes. É uma emoção indescritível, algo histórico. O sentimento é de dever cumprido”, afirma. Segundo ela, ver o esforço de tantos meses resultar na conquista torna o momento ainda mais especial. “Ninguém faz nada sozinho, todos contribuem. Ver todo esse esforço nos trazer esse resultado não tem preço. Foi mágico, valeu muito a pena”, define.
O professor e coreógrafo Junior Prates também destaca o significado de mais uma conquista. Este foi seu sétimo título no FestMirim (o primeiro conquistado em 2013, com o CTG Guapos do Itapuí, e os outros seis pelo M’Bororé). Para ele, porém, cada troféu representa uma história diferente, já que as gerações de crianças se renovam a cada edição.
Neste ano, a emoção ganhou um significado ainda maior. Como atuais campeões, os integrantes do M’Bororé tiveram a oportunidade de participar do show de encerramento, reunindo antigas e novas gerações em uma apresentação que revisitou momentos marcantes da trajetória do grupo. “Naquele momento, eu já me sentia campeão. O troféu veio depois”, resume Junior.
A nutricionista Rafaela Dalpias foi bicampeã do FestMirim representando o M’Bororé em 2016 e 2017 e aceitou, com honra, o convite para voltar aos palcos e reviver essa história depois de 10 anos. “Tivemos apenas dois ensaios, o que pode parecer pouco para preparar uma apresentação, mas foi impressionante perceber como o corpo ainda guardava tantas lembranças. Aos poucos, os passos foram voltando, a coreografia foi sendo relembrada e tudo aquilo que vivemos há dez anos parecia estar guardado em algum lugar dentro de nós. Acho que a Rafa de 10 anos atrás jamais imaginaria que, depois de tanto tempo, teria a oportunidade de voltar ao palco e sentir novamente uma emoção tão parecida com a de antes. Alguns ciclos realmente se encerram, mas certas histórias continuam vivas dentro da gente. E poder voltar, mesmo que por um momento, para reviver essa parte da minha história foi emocionante demais”, conta.
A trajetória de títulos do M’Bororé no FestMirim começou em 2016 e seguiu com conquistas em 2017, 2018, 2022 e 2025. Agora, em 2026, o grupo amplia sua história com o sexto título e reafirma Campo Bom como destaque no tradicionalismo gaúcho, levando mais uma vez o nome do município ao topo de uma das principais competições da categoria no Estado.



