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Guapos do Itapuí chega à final do FestMirim marcado por uma história de dor e superação

Redação / AG por Redação / AG
14 de setembro de 2026
em Comunidade, Cultura
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Guapos do Itapuí chega à final do FestMirim marcado por uma história de dor e superação

Foto: Divulgação

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Há momentos em que a vida parece pedir que a gente pare. Para Yasmim Pereira Gecotiskin, de 13 anos, um desses momentos chegou justamente quando ela vivia um dos sonhos construídos ao longo dos últimos meses: participar do FestMirim, em Santa Maria. Integrante da Invernada Mirim do CTG Guapos do Itapuí desde janeiro, a menina descobriu, somente depois de dançar, que sua avó materna havia falecido. Mesmo diante da dor, decidiu voltar ao tablado.

Realizado no último final de semana, o evento reuniu grupos do tradicionalismo gaúcho na região Central do Estado. O Guapos chegou à finalíssima e terminou na 19ª colocação geral, além do 9º lugar em indumentária e do 19º lugar em Criações Coreográficas, com a coreografia de saída. Tricampeã do FestMirim, a entidade também atravessa um período de desafios após a perda do galpão principal, mas segue encontrando forças para manter viva sua história e representar Campo Bom.

Para Yasmim e sua família, porém, a competição ganhou um significado que ultrapassou qualquer resultado. Enquanto a menina viajava para Santa Maria acompanhada da mãe, Rafaela Costa Pereira, a avó materna, Enira Teresinha Costa Pereira, de 71 anos, enfrentava uma piora no estado de saúde. Debilitada após um AVC isquêmico e uma infecção urinária, ela precisou ser levada ao hospital. Durante o dia, a família acompanhou as informações sobre o atendimento, até que, à noite, veio a notícia da morte.

Yasmim, porém, ainda não sabia. A família decidiu preservar a menina até que ela pudesse cumprir o compromisso que vinha preparando havia oito meses junto dos outros 19 integrantes da invernada. A mãe comunicou a coordenação e os instrutores do Guapos, que ofereceram apoio e respeitaram a difícil decisão. “Meu coração se dividia entre a dor que eu estava vivendo e a responsabilidade de não deixar que essa dor chegasse até ela naquele momento”, conta Rafaela.

A escolha carregava um motivo profundo. Enira não era apenas avó de Yasmim. Desde os quatro meses de vida da menina, cuidava dela e acompanhava cada descoberta, conquista e dificuldade. Era colo, proteção, segurança e amor.

Por isso, a mãe acreditava que Enira gostaria de ver a neta dançar. Yasmim entrou no tablado sem saber da despedida que acontecia longe dali. Dançou ao lado dos colegas e, somente depois da apresentação, recebeu a notícia de que a avó havia partido. A família então seguiu para Novo Hamburgo para o sepultamento.

No caminho, veio outra notícia: o Guapos estava classificado para a finalíssima. Ainda mergulhada na dor da perda, Yasmim tomou sua própria decisão. “Mãe, eu quero dançar a final”, disse a prendinha.

Junto da dinda Mi e da amiga Angélica, a família retornou a Santa Maria. E Yasmim voltou ao tablado. A apresentação não apagou a saudade, nem diminuiu a dor. Mas representou a possibilidade de continuar mesmo quando o coração pedia para ficar parado. Também simbolizou a força de um grupo que, durante oito meses, construiu um sonho coletivo.

Para Rafaela, mais importante do que qualquer classificação é o ensinamento que a filha poderá levar para a vida. “Superação não é esconder a dor, fingir que está tudo bem ou ser forte o tempo todo. É sentir, chorar, ter medo, sentir saudade e, ainda assim, encontrar dentro de si forças para dar mais um passo”, destaca.

No tablado de Santa Maria, Yasmim levou a pilcha, a tradição e o sonho construído com os colegas. Sem saber, carregou também o amor de uma avó que ajudou a formar quem ela é. Entre lágrimas, despedidas e danças, mostrou que alguns legados não desaparecem com a partida: permanecem vivos nas pessoas, nos valores ensinados e na coragem de seguir em frente, levando consigo o orgulho de representar Campo Bom.

Grupo se apresentando durante o FestMirim
Yasmim e a avó Enira

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