As experiências, os sentimentos e as lembranças de quem viveu as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul ganharam espaço nas páginas de um livro. Entre os autores das cartas reunidas em Cartas para a Escola estão cinco estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) 25 de Julho, de Campo Bom, que contribuíram para a construção de um registro histórico sobre os impactos da catástrofe climática na comunidade escolar gaúcha.
A obra é resultado do projeto de pesquisa Histórias da Escola: modos de recompor identidades em contextos de desastres climáticos, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), com apoio dos programas de pós-graduação em Educação e em História da Universidade de Caxias do Sul (UCS). O livro tem como autores o professor José Edimar de Souza, natural de Campo Bom e docente da UCS, e Elisângela Cândido da Silva Dewes, que realiza estágio de pós-doutoramento na área da Educação sob a supervisão do pesquisador.
Os estudantes campo-bonenses que participam da publicação são Joana Maria de Oliveira, Thayna Cordeiro dos Santos, Allyson Camargo Teles, Joana Mycaella da Rosa Lauterio e Manoela da Silva Ferreira. As cartas produzidas pelos alunos integram um conjunto de relatos de diferentes municípios gaúchos, incluindo Canoas, Esteio, São Leopoldo, Rolante e Campo Bom.
A participação dos jovens foi viabilizada por meio de uma mobilização que envolveu secretarias municipais e estadual de Educação, além das escolas das regiões do Vale do Sinos e da Serra Gaúcha, territórios abrangidos pela pesquisa. O convite para a produção dos textos foi divulgado entre janeiro e maio, e as cartas serviram de base para a análise desenvolvida pelos pesquisadores.
Mais do que documentar os efeitos das enchentes, a publicação busca compreender como os estudantes perceberam e expressaram o que viveram. Os textos abordam sentimentos, experiências e relações construídas em um período marcado por perdas e dificuldades, além de evidenciar o papel social da escola durante a emergência climática.
Conforme os pesquisadores, a escolha pelas cartas permitiu acolher diferentes percepções e aproximar a produção científica da comunidade. A escrita também revelou manifestações de afeto e gratidão, reforçando a importância da escola não apenas como espaço de aprendizagem, mas também de acolhimento e formação humana.
A participação dos estudantes na obra ainda contribui para aproximar os jovens da literatura e da produção do conhecimento científico, além de ampliar o diálogo sobre questões ambientais e sustentabilidade.
LANÇAMENTO EDIÇÃO FÍSICA
A versão digital de Cartas para a Escola está disponível gratuitamente na internet (acesse aqui). Já o lançamento da edição física ocorrerá durante a programação da 42ª Feira do Livro de Campo Bom, em 19 de outubro, às 19h. O evento ocorre entre 19 e 24 de Outubro, na Rua Coberta da cidade.





