Campo Bom está entre os municípios finalistas do 8º Prêmio Boas Práticas na Gestão Pública Municipal, promovido pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). A cidade concorre na categoria Meio Ambiente, Desastres Ambientais e Mudanças Climáticas com o projeto “Parque de Saneamento Ecológico de Campo Bom: recuperação de área degradada, saneamento ecológico e prevenção de desastres”.
Os vencedores serão anunciados no dia 30 de outubro, às 14h, durante cerimônia no Centro de Eventos de Nova Petrópolis. Nesta edição, o prêmio recebeu 514 projetos de 192 prefeituras gaúchas, com 54 iniciativas que serão reconhecidas em 18 categorias.
O projeto de Campo Bom tem como destaque o Parque de Saneamento Ecológico da Vila Rica, iniciativa que combina tratamento de esgoto, restauração ambiental e soluções para melhorar a drenagem urbana. A proposta utiliza tecnologias inspiradas nos processos naturais para contribuir com a qualidade da água e reduzir os impactos das chuvas intensas.
Tratamento natural e recuperação ambiental
Localizado na região sul do município, o parque foi implantado para enfrentar antigos problemas de saneamento no bairro Vila Rica. Com aproximadamente dois hectares, a estrutura recebe o esgoto de cerca de 2,2 mil moradores e águas pluviais de uma bacia com aproximadamente 25 hectares.
A área, que originalmente era um banhado natural e havia sido aterrada, passa por um processo de recuperação ambiental, com a retomada de funções ecológicas. O sistema conta com 11 lagoas vegetadas, que utilizam a tecnologia de banhados construídos, conhecida internacionalmente como constructed wetlands.
Nessas estruturas, plantas aquáticas auxiliam na depuração da matéria orgânica e no tratamento biológico do esgoto. As lagoas também contribuem para o armazenamento temporário da água da chuva, favorecendo a regulação hídrica e a mitigação de cheias na região.
A proposta ganha relevância diante dos desafios enfrentados pelos municípios gaúchos com as mudanças climáticas e os eventos extremos, especialmente após as enchentes de maio de 2024.
Monitoramento aponta resultados positivos
Para avaliar o desempenho do sistema, a Prefeitura mantém um convênio com a Universidade Feevale. Em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a instituição monitora a qualidade da água, os níveis e as vazões das lagoas, buscando mensurar os efeitos do tratamento e da vegetação sobre os efluentes e a regulação hídrica do entorno.
De acordo com os resultados preliminares apresentados pelo projeto, o efluente tratado registrou redução média de 99,5% nos coliformes fecais e de 86,6% nos coliformes totais. Também foram observadas reduções de 98,2% na demanda bioquímica de oxigênio (DBO₅), indicador associado à quantidade de matéria orgânica presente na água, e de 94,8% na demanda química de oxigênio (DQO).
Os dados apontam ainda reduções de 71,1% no fósforo total, 76,6% na amônia, 19% no nitrogênio total Kjeldahl (NTK) e 95% nos sólidos suspensos totais.
Os índices preliminares demonstram o potencial do sistema no tratamento biológico dos efluentes. O acompanhamento técnico permite avaliar os resultados e ampliar o conhecimento sobre o uso de soluções baseadas na natureza na infraestrutura urbana.
Reconhecimento estadual
O Prêmio Boas Práticas na Gestão Pública Municipal busca identificar, reconhecer e divulgar projetos inovadores das administrações municipais que apresentem resultados concretos para a qualidade de vida da população.
A participação de Campo Bom na etapa final coloca o Parque de Saneamento Ecológico da Vila Rica entre as iniciativas selecionadas para concorrer ao reconhecimento estadual na área ambiental.




