Na madrugada de segunda-feira (13), um tamanduá-mirim foi resgatado na Avenida Bibiano Trott, em Campo Bom, após sofrer um choque elétrico ao cair de um poste.
A ocorrência mobilizou a vereadora Kayanne Braga (PDT), que foi acionada por moradores da região após o flagrante. O animal foi encontrado ferido e recebeu os primeiros cuidados ainda no local.
Com o auxílio da ONG CBC, o tamanduá foi encaminhado para uma clínica veterinária em Novo Hamburgo. Posteriormente, com apoio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ele foi transferido para o projeto voluntário de fauna silvestre Toca dos Bichos, em Porto Alegre.
De acordo com as informações, o animal passou por tratamento, sendo medicado, e apresentou bom estado de recuperação, então foi devolvido a seu habitat natural. Para entender melhor o aparecimento de animais silvestres em áreas urbanas, a reportagem conversou com o biólogo Marcelo Pereira de Barros, professor e pesquisador da Universidade Feevale. Confira a fala na íntegra: “Ocorrem duas espécies de tamanduás no Rio Grande do Sul, o tamanduá-bandeira e o tamanduá-mirim. O tamanduá-bandeira é muito raro, ainda ocorre em algumas regiões do estado, enquanto o tamanduá-mirim, espécie que apareceu no Município de Campo Bom, é um pouco mais comum. As duas espécies estão ameaçadas de extinção no estado, principalmente pela descaracterização e destruição de hábitats, atropelamentos em rodovias, caça e ataques de cães. Tem se tornado cada vez mais comum, o registro de animais silvestres em ambientes urbanos, e isso não é diferente para o tamanduá-mirim, e outras espécies da fauna silvestre que ocorrem no Vale do Rio dos Sinos, sendo que esse fenômeno ocorre devido aos avanço de áreas urbanas sobre as áreas florestadas na região. Cabe lembrar, que os tamanduás são inofensivos para nós e nossos animais domésticos, além de serem protegidos por legislação específica para a fauna silvestre. Quando encontrar uma animal em regiões urbanizadas, sempre entre em contato com autoridades competentes para o manejo seguro. A Universidade Feevale tem um projeto de pesquisa de monitoramento de fauna silvestre na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos, e em caso de registro do animal, informações e imagens podem ser direcionadas para o perfil no Instagram: marcelobarros_zoologo.”
Apesar do desfecho positivo, autoridades reforçam que o manejo e o resgate de animais silvestres devem ser realizados exclusivamente por profissionais com conhecimento técnico, garantindo a segurança tanto da população quanto da fauna.
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