Nos últimos dias, moradores de Campo Bom e região relataram problemas na qualidade da água fornecida pela Corsan. Entre as principais queixas estão gosto desagradável, odor forte e em alguns casos, coloração escura, situações registradas em diferentes bairros do município.
A Estação de Tratamento de Água (ETA) de Campo Bom é responsável pelo abastecimento não apenas do município, mas também das cidades de Sapiranga, Portão e Estância Velha, o que amplia o alcance dos impactos relatados pela população.
Diante das interações, o Jornal A Gazeta entrou em contato com a companhia para esclarecimentos. Em nota, a Corsan informou que a água distribuída passa por rigoroso controle de qualidade em todas as etapas do abastecimento, seguindo as diretrizes do Ministério da Saúde e os parâmetros estabelecidos pela Portaria GM/MS nº 888/2021.
Segundo a empresa, as alterações sensoriais percebidas pela população estão associadas à chamada “floração” de algas no manancial utilizado para captação de água bruta. O fenômeno ocorre, principalmente, em períodos de pouca chuva, quando há maior concentração de matéria orgânica na água.
Conforme a Corsan, essa condição pode provocar mudanças no gosto e no cheiro da água, exigindo ajustes no tratamento. Para minimizar os efeitos, a Companhia afirma utilizar produtos específicos, como carvão ativado e permanganato.
O coordenador de Operações da Corsan, Cristhoffer Bündchen, reforçou que o problema tem origem natural. “O fenômeno de floração ocorreu no manancial, ocasionado pela baixa vazão e aumento de matéria orgânica, podendo alterar o sabor e o odor da água. Desde o início, a Corsan tem adotado todas as medidas necessárias, com a adição de produtos no processo de tratamento e ações como expurgos na rede”, explicou.
Apesar das reclamações, a empresa garante que a água segue dentro dos padrões de potabilidade e não oferece riscos à saúde da população.
Amvag cobra providências
A Associação dos Municípios do Vale do Rio dos Sinos (Amvag) também se manifestou sobre o caso e informou que está tomando medidas junto aos órgãos reguladores.
Em nota, a entidade destacou que, diante dos diversos relatos de consumidores sobre alterações de odor, sabor e coloração da água, está abrindo processo junto à Agência Reguladora Agesan para que sejam adotadas providências definitivas. A Amvag orienta que consumidores que enfrentam esse tipo de problema formalizem denúncia junto à Agesan, por meio do telefone 0800 222-4022 ou pelo e-mail ouvidoria@agesan-rs.com.br registrando protocolo por “desabastecimento”. Segundo a entidade, a formalização é fundamental para embasar as medidas que deverão ser tomadas.
A associação também reforçou sua preocupação com a situação, classificando como inadequado o fornecimento de água que, embora considerada potável, apresenta alterações de cor, cheiro e gosto.
Nas redes sociais do Jornal A Gazeta, centenas de moradores manifestaram insatisfação com a situação. Entre os relatos, estão dificuldades até mesmo para o consumo básico e preparo de alimentos. “Nem fervendo a água dá pra tomar, o café então, sem condições”, relatou uma moradora.
“No abrir a torneira já dá para sentir o cheiro, não dá para beber”, comentou outro.
“Está horrível o gosto da água, sinto até no chimarrão”, disse uma usuária.
Outros moradores afirmaram que estão comprando água para consumo e até evitando o uso para higiene. Também foram enviadas à redação imagens que mostram a água com coloração escura saindo das torneiras.
Em novo contato com a Corsan, até o fechamento desta edição, a informação repassada pela companhia é de que a água tratada na Estação de Tratamento (ETA) já não apresenta mais características de gosto ou odor.
A orientação é que clientes que ainda identifiquem problemas registrem solicitação pelos canais oficiais de atendimento da empresa.

















