Um compromisso semanal que atravessa gerações, resiste ao tempo e transforma o futebol em muito mais do que um jogo. Em 2026, o tradicional grupo Futebol das Quintas celebra 50 anos de história em Campo Bom, reunindo amigos, famílias e memórias construídas desde 1976, quando tudo começou com uma ideia simples: criar um momento de lazer no meio da semana.
A iniciativa nasceu com o empreendedor Djalmo Inácio da Silva, que, ao deixar os jogos de fim de semana por conta dos compromissos familiares e profissionais, decidiu formar uma equipe para atuar durante a semana. A oportunidade surgiu com a inauguração do Pavilhão de Esportes Cristo Rei, no bairro Porto Blos, onde, em 20 de junho de 1976, o grupo realizou sua primeira partida, durante um campeonato promovido pela Paróquia Cristo Rei.
Desde então, as quintas-feiras ganharam um significado especial. Inicialmente formado por funcionários da empresa Quinnjalmo, o time logo passou a contar com amigos convidados, consolidando uma base que, ao longo dos anos, se tornaria uma verdadeira família. Histórias marcantes não faltam, como o próprio dia da estreia, que coincidiu com o nascimento da filha de Djalmo, ou as viagens, campeonatos e confraternizações que ajudaram a fortalecer os laços entre os integrantes.
Apesar de participações em torneios e conquistas importantes, como um título em competição promovida pela Viação Campo Bom e o reconhecimento como equipe mais disciplinada na Copa Jornal A Gazeta de Veteranos, o grupo optou por seguir um caminho próprio. A filosofia sempre foi clara: o futebol como espaço de amizade, respeito e diversão, longe de disputas ríspidas. Assim, os amistosos, os churrascos e a resenha após os jogos passaram a ser a essência do Futebol das Quintas.
Com o passar das décadas, novas gerações foram incorporadas. Filhos dos fundadores começaram a frequentar a quadra ainda jovens e, pouco a pouco, assumiram protagonismo dentro e fora de campo. Hoje, o grupo já conta com representantes da terceira geração, mantendo viva uma tradição que atravessa famílias e reforça o sentimento de pertencimento.
Por muitos anos, os jogos aconteceram no mesmo local e horário: todas as quintas-feiras, das 21h às 22h, no Pavilhão Cristo Rei. Após o fechamento do espaço, em 2022, a equipe passou a atuar na Estação Society 1, no bairro Paulista, adaptando-se ao futebol 7 em grama sintética, mas sem abrir mão da essência construída ao longo de meio século.
Atualmente, cerca de 30 atletas integram o elenco, com destaque para nomes que representam a continuidade da história, como Maicon Reinhardt, Tiel e Né de Andrade, Marcelo e Marcos Inácio da Silva, além de Pablo Martins, um dos mais antigos da formação atual. A organização segue nas mãos dos próprios integrantes, mantendo o espírito coletivo que sempre guiou o grupo.
Atual presidente do Futebol das Quintas, Marcelo Silva, filho do fundador Djalmo, não esconde a emoção de seguir o legado do pai. “O sentimento é de muito orgulho em conseguir manter esse time em atividade todas as quintas-feiras durante meio século, de olhar que a base do grupo se mantém a mesma e unida durante essas cinco décadas, e que tem esse sentimento de família. É emocionante lembrar de tudo que passou e perceber quantas histórias fizeram parte dessa trajetória, e ainda poder comemorar esse marco histórico”, comenta.
Para marcar o cinquentenário, duas celebrações especiais estão programadas. Na próxima quinta-feira, dia 4 de junho, será realizada uma confraternização na própria quadra, com registro fotográfico reunindo jogadores e ex-jogadores, além da estreia da camiseta e jaqueta comemorativas. Após a partida, haverá churrasco, música ao vivo e momentos de integração.
Já no dia 20 de junho, data exata em que o grupo completa 50 anos, a comemoração será ampliada com uma grande festa no Clube Oriente, no centro de Campo Bom. O evento reunirá famílias, amigos e convidados para uma noite com jantar, show musical e confraternização, celebrando cinco décadas de histórias construídas dentro e fora de campo.
Mais do que um time, o Futebol das Quintas se consolidou como um símbolo de amizade, continuidade e paixão pelo esporte. Um exemplo de como o futebol amador pode unir pessoas, atravessar gerações e se transformar em uma verdadeira tradição comunitária.











