Na última sessão da Câmara de 2025, o vereador João Paulo Berkembrock (MDB), foi eleito presidente da Câmara de Vereadores para este ano. Esta é a segunda vez que o vereador João Paulo está assumindo a presidência do Legislativo e, assim como da primeira vez, ele novamente foi eleito pela unanimidade dos vereadores.
O Jornal A Gazeta, como tem acontecido a cada novo ano, foi conversar com exclusividade com o novo presidente.
Jornal A Gazeta: Por esta ser a segunda vez que assumes a presidência do Legislativo, acreditas que, esta pode ser uma ferramenta facilitadora para o seu mandato?
João Paulo: “O retorno à presidência ajuda, mas o principal é a sensibilidade. Hoje escuto mais, tenho mais calma e entendo melhor o peso das decisões. Isso faz diferença na forma de conduzir a Câmara e de cuidar das pessoas que passam por aqui.”
AG: Como foste escolhido pela unanimidade dos vereadores de todos os partidos, o que raramente acontece, acreditas que este pode ser um importante fator para um bom entendimento entre as bancadas com a presidência?
João: “Fico muito honrado por, pela segunda vez, e com um grupo diferente de vereadores, de bancadas e partidos diferentes, ser escolhido por unanimidade. É público que temos posições políticas divergentes e debates intensos no dia a dia, e isso é saudável na democracia. Sempre respeitei o direito de cada vereador representar a sua comunidade. Mesmo quando precisei me posicionar de forma contrária a projetos ou ideias, nunca deixei de ser verdadeiro, de olhar no olho e dizer o que penso. Também nunca deixei de assumir posições, mesmo quando impopulares. Acredito que essa postura, somada ao trabalho nas comissões e na liderança de governo, buscando sempre diálogo e soluções para que as coisas aconteçam, é o que constrói confiança e respeito.”
AG: É público e notório que o Poder Legislativo tem sido alvo de muitas críticas por parte da opinião pública, muitas delas pelas matérias aprovadas ou reprovadas. Pretendes fazer algo para minimizar estas situações?
João: “Eu compreendo as críticas e respeito todas elas quando se referem às posições adotadas na Câmara ou à postura no mandato, desde que não ataquem a honra ou a pessoa. Vivemos um cenário difícil no Brasil, com muitas decepções políticas e uma realidade econômica pesada, o que gera frustração nas pessoas. Isso, somado a decisões que muitas vezes são encaradas com incompreensão, cria um ambiente delicado. Meu papel, nesse contexto, é ouvir, explicar, acolher e seguir fazendo o que acredito ser correto, sempre dentro dos limites éticos e morais, com respeito à democracia.”
AG: Recentemente aconteceram alguns episódios bastante desagradáveis no Legislativo, em razão de algumas manifestações na tribuna. Mesmo considerando a imunidade parlamentar regimentalmente conferida aos vereadores quando fazem uso da tribuna, pretende com a sua experiência fazer algo para evitar situações como estas?
João: “A Câmara é palco de debate, e o debate faz parte da democracia. Todas as posições precisam ser representadas. Ao mesmo tempo, a tribuna exige responsabilidade. A presidência precisa garantir respeito, equilíbrio e que ninguém ultrapasse limites, sempre com diálogo e bom senso.”
AG: Neste ano acontecerão as eleições gerais, onde naturalmente os ânimos ficam mais alterados, sente-se preparado para enfrentar estes desafios?
João: “O ano eleitoral sempre é um ano diferenciado. Além disso, vivemos um cenário de debate nacional muito polarizado, onde praticamente tudo vira discussão política, desde assuntos do dia a dia até a escolha do presidente da República. Isso naturalmente pesa e deixa os ânimos mais sensíveis. Mas acredito que, mantendo a forma como sempre conduzimos as relações aqui dentro, com serenidade, respeito e diálogo, o ambiente institucional segue funcionando com normalidade. O papel da presidência é justamente esse, garantir o debate, baixar a temperatura e preservar o respeito à democracia.”
AG: O Regimento Interno do legislativo tem se tornado uma verdadeira “colcha de retalhos”, com algumas mudanças ou muitas emendas. Pensas em fazer algo para modernizar ou pelo menos atualizar alguns artigos de acordo com a realidade política?
João: “Já demos passos importantes, ajustando questões de comunicação, legalidade e até de redação, para deixar o texto mais claro e representativo. Mas sabemos que ainda precisamos avançar. A ideia é consolidar o Regimento com a Lei Orgânica do Município e com as demais legislações, garantindo que tudo caminhe no mesmo sentido, com transparência e segurança jurídica. E fazer isso sem perder hábitos positivos que funcionam no dia a dia, mesmo que não estejam escritos, e também tendo coragem de corrigir práticas que, de tanto se repetirem, acabam virando regra sem necessariamente serem as melhores.”
AG: Faça as suas considerações pessoais.
João: “Tenho muito orgulho de ser vereador da minha cidade pela 3ª vez, presidente pela 2ª vez, me esforço todos os dias para fazer o melhor possível e para que as decisões tomadas aqui gerem bons frutos para a cidade e para as pessoas. Quero construir um legado positivo, ajudar a preparar um futuro próspero para Campo Bom e, lá na frente, ter a tranquilidade de olhar para trás e sentir que fiz o que precisava ser feito, com responsabilidade, respeito e amor pela cidade.”
