Aos 17 anos, Zoé Biéret deixou a França para viver uma experiência que, durante muito tempo, parecia existir apenas nos planos. Em 15 de agosto, a jovem embarcou sozinha em Paris com destino ao Brasil. Depois de passar por São Paulo e Porto Alegre, chegou a Campo Bom, onde foi recebida pela família que será sua casa pelos próximos meses.
Natural da França, Zoé está vivendo no município por meio de um intercâmbio de um ano viabilizado pelo Rotary International. Ela estuda no Colégio Fernando Ferrari, ao lado da irmã anfitriã, Laura, e mora com a família Farias. A previsão é que permaneça no Brasil por pelo menos 10 meses.
A adaptação, porém, começou antes mesmo de ela conseguir entender completamente o que estava vivendo. “Antes de chegar ao Brasil, eu não falava uma palavra de português”, conta. Apesar de ter feito alguns cursos básicos pela internet, foi no dia a dia que começou a aprender o idioma. No início, o tradutor era presença constante nas conversas com a família anfitriã. Hoje, já é pouco utilizado.
Além da língua, o maior desafio foi emocional. Zoé conta que só percebeu a dimensão da experiência quando deixou as malas na nova casa e se deu conta de que passaria um ano longe da família, dos amigos e da rotina que conhecia na França. “Sempre foi um sonho, e eu não via essa experiência como algo real”, relata. Depois dos primeiros dias de angústia, no entanto, a adaptação começou a acontecer.
Entre as aulas na Escola Fernando Ferrari, novos amigos e a convivência com a família Farias, a jovem também participa de acampamentos organizados pelo Rotary, que reúnem outros estudantes de intercâmbio do Distrito 4670. Para ela, a experiência vai muito além de conhecer um novo país: é uma oportunidade de aprender a conviver com diferenças culturais e construir novas relações.
Em Campo Bom, a chegada de Zoé também representa um momento inédito para o Rotary Club local. Segundo a presidente Jennifer Pereira, esta é a primeira vez, em 69 anos de história da entidade, que o clube recebe uma intercambista. “Viabilizar um projeto como esse representa muito mais do que receber uma intercambista em nossa cidade. É abrir portas para o conhecimento, para a troca cultural e para a construção de vínculos que podem permanecer por toda a vida”, destaca Jennifer. Para ela, a experiência permite que Zoé conheça a cidade, a cultura e as famílias locais, ao mesmo tempo em que Campo Bom passa a fazer parte da formação e da história da jovem francesa.
E a troca não termina na chegada. O próprio princípio do intercâmbio prevê que um campo-bonense também viaje para outro país. Zoé explica que sua vinda só foi possível porque outra pessoa fará o caminho inverso, reforçando a ideia de que se trata de uma experiência de mão dupla. “Quando pessoas se unem com um propósito, conseguem criar oportunidades que transformam vidas. E esse é o verdadeiro impacto que queremos deixar em nossa comunidade”, afirma Jennifer.
Até voltar para a França, Zoé ainda terá muitos meses para aprender português, conhecer lugares, fazer amizades e descobrir um pouco mais sobre o Brasil. E, quando retornar para casa, levará consigo uma parte de Campo Bom, enquanto deixa na cidade um pouco da sua própria história.





