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Emílio e Alegria: Cães comunitários são acolhidos pela cidade

Redação / AG por Redação / AG
27 de outubro de 2023
em Comunidade
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Emílio e Alegria: Cães comunitários são acolhidos pela cidade
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Animais de rua ganham banho, castração e têm até redes sociais

Ao andar pelas ruas de Campo Bom, é possível encontrar cães de banho tomado, bem alimentados, castrados, sem parasitas e com casinhas para se abrigar. Apesar de essa não ser sempre a realidade e muitos animais ainda sofrerem maus-tratos, a comunidade se destaca no cuidado aos cães e gatos comunitários.

Dois exemplos disso são o Alegria e o Emílio Augusto. Eles vivem pelo Centro de Campo Bom, e tem até plaquinha de identificação como cães comunitários e redes sociais. No seu Facebook, Emílio é “Guia turístico na empresa Prefeitura de Campo Bom” e as pessoas compartilham locais por onde ele marcou presença, que vão desde salas de aula, até a Igreja Católica. A noite, Alegria e Emílio Augusto latem no portão da protetora Maria Helena, que abre para que todas as noites eles tenham um abrigo.

Os cães do bairro Firenze

No bairro Firenze, Caramelo, Fiona, Amiguinho e Bonita seguem o carro de Amanda Vaz Ruppenthal e Franciele Maria Grawer, voluntárias da ONG Campo Bom pra Cachorro e proprietárias de um banho e tosa. Religiosamente, os cães comunitários seguem o veículo até o ponto onde recebem duas refeições por dia e água, que retribuem com os rabinhos abanando.

Além de alimentar os cães da região, elas administram Bravecto, que evita parasitas, e recolhem animais de rua para castração.

“O trabalho que fazemos com eles é totalmente voluntário. Temos uma parceria com o Cempra, reunimos os cachorros de rua para levar lá e fazer a castração. Começamos a dar comida, começaram a vir outros e virou isso, quase um restaurante dos cães comunitários. Também levamos os cães na Feevale para aplicar as vacinas”, disse Fran.

Corrente do bem

Quando elas saem, sempre levam junto potes com ração, para distribuir aos cães nas ruas. Esse simples gesto pode ser replicado por qualquer pessoa e tem um impacto positivo no bem-estar dos animais. Com o passar do tempo, elas começaram a receber ajuda por meio de doações de alimentos e ração, para que continuassem esse trabalho. “Não temos do que nos queixar, bastante gente ajuda. É uma corrente. As pessoas auxiliam com doação e eu e a Amanda fazemos o trabalho mais braçal”, explica Fran.

Dignidade para os animais

“Tem muitas pessoas que acham que ajudar um cão de rua é colocar para dentro de casa. E eu posso colocar dez aqui em casa, que semana que vem terá o mesmo número na rua. Então fazemos o que podemos, alimentamos, damos dignidade para os animais de rua, mas sabemos que o melhor para eles é não estar na rua, por isso tentamos tirar fotos, divulgar para adoção. Nós também castramos, damos Bravecto para ter controle de parasitas. Não conseguimos fazer com todos, porque tudo é caro, mas temos muitos amigos que ajudam com doação de comida e ração, por exemplo. Pelo menos fome e sede, eles não passam”, relata Amanda.

Ações que mudam a realidade

Elas realizaram uma ação solidária que resultou na arrecadação de 14 casinhas para cães comunitários, cada uma com um custo médio de R$ 140,00. Algumas dessas casinhas foram instaladas na pista de atletismo, outras em frente à Arezzo, por exemplo. Além disso, elas já realizaram por duas vezes, vendas de pizzas, iniciativa que contribuiu para a doação de 56 roupinhas cirúrgicas para o Cempra e 180 sachês.
Embora hajam críticas de que o foco na causa animal negligencia a ajuda às pessoas, elas defendem que suas ações têm um impacto positivo em ambas as áreas.

Bairro Aurora tem todas as fêmeas

Rosana Reinheimer, protetora animal, conseguiu um feito quase inacreditável: castrar todas as fêmeas, de cães e gatos, do bairro Aurora. Ela busca os animais que são castrados no Hospital Veterinário da Feevale gratuitamente. Ela prova que uma pessoa engajada pode, sim, mudar a realidade da sua comunidade.

Rosana começou a fazer o trabalho há 17 anos. A protetora acompanhou a nossa reportagem para as invasões Bicho de Pé, que agora se chama Arroio Schimidt, e invasão Porto Alegre, no bairro Aurora. Durante o percurso, nenhum dos animais estava desnutrido, com sarna, mancando, com pulgas ou doente. Todas as fêmeas tinham a marca da castração, sendo uma conquista que ela exibe com orgulho. “Nós damos Bravecto duas vezes por ano, alimentamos e castramos. São 78 cães na antiga Bicho de Pé e 29 na Porto Alegre e mais os gatos, daria para dizer que são uns 200 animais. Já fiz muitas castrações, só esse ano foram 58 fêmeas, entre cães e gatos”, relata Rosana.

Cuidado aos animais das invasões

Por um instante, foi possível esquecer que os animais não tem dono. Com pelo brilhoso, castrados, vacinados, sem parasitas e até gordinhos, eles são o reflexo de uma comunidade mais consciente e de pessoas como Rosana, que dedicam a vida a causa animal.

No caminho entre as residências da invasão, de casa em casa, ela ia perguntando quem gostaria de castrar o seu animal. Ela não apenas se limitava a castrar os animais de rua, mas também os com tutores. Isso porque em invasões, eles não têm comprovante de endereço, impossibilitando a castração. Dessa forma, Rosana representa os moradores, fazendo essa ponte entre o Hospital Veterinário e os donos – um trabalho voluntário transformador que pode ser replicado em outros bairros.

O fim dos bichos de pé

“Brinco que o nome da invasão Bicho de Pé só trocou porque dou remédio Bravecto para eles, que acabou com os bichos de pé e pulgas. O posto de saúde daqui tinha uma demanda de crianças com furúnculo, com doenças e parasitas transmitidos pelos animais, como pulgas, carrapatos, sarnas, bicho de pé, coisas assim. Quando comecei a tratar os animais com Bravecto, essas doenças, que deram o nome da própria bicho de pé, foram parando. O próprio posto falou para a prefeitura que diminuiu muito o número de atendimentos. Conseguimos controlar uma zoonose. O trabalho que fazemos ajuda as pessoas também, não só os animais”, explica ela.

Como ajudar no seu bairro | “Outras pessoas podem fazer esse mesmo trabalho voluntário. É só ir à prefeitura com comprovante de renda e endereço. Quem não tem comprovante de endereço (invasões), alguém pode mandar um e-mail para solicitar castração (cempra@campobom.rs.gov.br). Qualquer pessoa com um comprovante de endereço em Campo Bom consegue fazer isso”, Rosana.

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  • Os vereadores de Campo Bom aprovaram por unanimidade, na sessão ordinária desta segunda-feira (27), um projeto de lei que determina a suspensão da cobrança da tarifa de abastecimento de água em situações de descontinuidade do serviço ou quando o fornecimento ocorrer fora dos padrões de potabilidade.

A proposta, assinada por todos os parlamentares da Câmara Municipal, representa mais um passo no trabalho de fiscalização dos serviços prestados pela Corsan e agora segue para sanção do prefeito Giovani Feltes.
O projeto tem como objetivo garantir que a cobrança da tarifa ocorra apenas quando o serviço for prestado de forma eficiente, contínua e segura. A medida também busca coibir falhas e inadequações no abastecimento, prevendo a criação de um mecanismo administrativo que permita à Prefeitura suspender a cobrança sempre que forem constatadas irregularidades.

Durante a mesma sessão, os vereadores também aprovaram, por unanimidade, uma moção de repúdio à Aegea/Corsan, em razão da precariedade do serviço prestado no município.

Além disso, foram aprovados três pedidos de informação, três requerimentos, dois projetos de lei e uma moção. A sessão contou ainda com a participação do secretário municipal de Desenvolvimento Social, Gabriel Colissi, que apresentou dados e detalhou as ações do município em relação ao atendimento às pessoas em situação de rua.

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  • Inicia nos próximos dias, o calendário anual de podas de árvores, com cronograma organizado por regiões da cidade. O cronograma começa no dia 29 de abril e segue até 7 de maio, atendendo moradores da região Centro Norte e parte do bairro Genuíno Sampaio, abrangendo a área entre as avenidas Brasil, dos Estados e Emílio Vetter.

Na sequência, entre os dias 5 e 14 de maio, os serviços contemplam a região Centro Sul e parte do bairro Celeste, incluindo o trecho localizado entre as avenidas Brasil, Independência, Willy Reichert e Gustavo Vetter. A Administração Municipal reforça que os moradores devem realizar as podas dentro do período estabelecido para cada região e depositar os materiais corretamente nas calçadas, exclusivamente nos dias programados para recolhimento. O descarte fora do cronograma é considerado irregular e pode resultar em multa.

A Prefeitura orienta ainda que apenas resíduos de poda devem ser descartados, sem mistura com outros tipos de lixo. O cronograma poderá sofrer alterações em caso de condições climáticas desfavoráveis. Para os moradores que não puderem aguardar o período previsto para sua região, os resíduos podem ser destinados diretamente à Horta Comunitária da Aurora ou ao espaço ao lado da Usina de Reciclagem, na Estrada do Mônaco.

A Administração Municipal destaca ainda que a poda corretiva nas calçadas, quando necessária, é realizada pelo próprio município, contribuindo para a manutenção adequada da arborização urbana e reforçando o compromisso com a organização da cidade, a preservação ambiental e a colaboração entre poder público e comunidade.

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Casos de multas registradas em cidades onde o proprietário nunca esteve ou em que o veículo nem saiu da garagem estão se tornando mais comuns no Rio Grande do Sul. Esse tipo de ocorrência pode sinalizar a clonagem de placas, um crime usado por quadrilhas para esconder veículos roubados ou furtados.

A reportagem do Jornal A Gazeta foi procurada por um morador do bairro Porto Blos relatando ter recebido uma notificação de multa emitida pelo Departamento de Estradas e Rodagens do Estado de São Paulo (DER-SP). No documento consta a aplicação penalidade em decorrência da não utilização do cinto de segurança pelo condutor do veículo na cidade de Ubatuba, em 21 de janeiro de 2026. No entanto, de acordo com o leitor multado, o veículo nunca esteve em Ubatuba.

Ao receber uma notificação suspeita, o primeiro passo é agir rapidamente. A orientação é registrar um boletim de ocorrência relatando a possível clonagem e reunir documentos que provem a irregularidade. Os principais itens exigidos são: vistoria do Detran RS, cópia do Certificado de Registro do Veículo, do CRLV, documento de identificação do proprietário, cópia da multa suspeita e fotos do veículo (frente, traseira e laterais).

Segundo o advogado Allan Dyego Pimentel, formalizar o caso é essencial para evitar prejuízos maiores. “Quando o proprietário encontra uma multa ligada a um veículo que não estava sob sua posse ou em um local diferente, é bem provável que esteja diante de um caso de clonagem de placa. Nessas situações, o primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência, pois esse documento será a base para todas as medidas administrativas e judiciais posteriores”, destaca.

Após o registro, o proprietário deve apresentar defesa junto ao órgão que aplicou a multa, anexando provas que mostrem a impossibilidade da infração, como comprovantes de localização, registros de pedágios ou imagens. Também é possível pedir a abertura de um processo administrativo para investigação, incluindo a análise de imagens do veículo infrator.

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  • A interferência de moradores de rua nas atividades do comércio, os furtos a residências, escolas e empresas e a sensação de insegurança preocupam lojistas e empresários de Campo Bom. Na última quinta-feira (16), o Comitê da Regional da ACI em Campo Bom reuniu-se com representantes da Brigada Militar, da Guarda Municipal, da Polícia Civil, da administração municipal e do Consepro para debater o tema e definir ações preventivas em conjunto.

Uma das ações em estudo é o desenvolvimento, nos próximos meses, de uma campanha para estimular a população de Campo Bom a fazer o registro de furtos e roubos. Com indicadores mais realistas, as forças de segurança poderão atuar com mais eficiência na prevenção e no combate aos crimes.

Débora Trierweiler, proprietária da Farmácia Apoteka e integrante do Comitê Regional da ACI e do Consepro de Campo Bom, relata que comerciantes têm enfrentado situações difíceis com moradores de rua na área central, além de furtos e transtornos, que também são registrados em bairros.

O secretário municipal de segurança e trânsito, Fernando Lehnen, afirma que a legislação limita a ação das forças de segurança, mas, ainda assim, a Guarda Municipal tem feito operações de fiscalização e identificação de pessoas com histórico de crimes. Um dos locais que são alvo é um galpão junto ao Parcão, onde moradores de rua se reúnem e pressionam a população do entorno.

A maioria dos moradores de rua é dependente química e conhecida das forças de segurança. “Somente a ação dos órgãos de segurança não basta. É necessário apoio psicológico, ação integrada com outras áreas e, em alguns, casos, internação compulsória, que deve ser autorizada por familiares”, explica.

Conforme a vice-prefeita Gênifer Engers, 44 pessoas em situação de rua estão cadastradas no CRAS (já foram 110) e recebem auxílio, como banho e alimentação. Pelos menos três já foram encaminhadas a empregos, mas permaneceram por pouco tempo. “Sabemos dos impactos à comunidade, estamos atentos a situação e estudamos ações”, informou.

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Moradora de Campo Bom desde 1983, a engenheira industrial química Vanda Ferreira Ribeiro tem se dedicado a um tema cada vez mais urgente: a poluição por microplásticos no meio ambiente. Atualmente em pesquisa de pós-doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela desenvolve uma análise com relação à presença dessas partículas no solo de áreas conhecidas da cidade, como o Parque do Trabalhador, o Parcão e a região onde o Arroio Schmidt encontra o Rio dos Sinos.

O objetivo é aproximar a ciência do cotidiano das pessoas. “Escolho locais que fazem parte da rotina da população para mostrar que o problema está aqui, perto de nós”, explica. A pesquisa, realizada há cerca de um ano, busca identificar microplásticos com tamanhos de até 0,2 milímetros, invisíveis a olho nu, mas com potencial de causar impactos ao meio ambiente e à saúde ao longo do tempo.

Os microplásticos são fragmentos menores que 5 milímetros, originados tanto da degradação de materiais maiores, como embalagens, fibras e pneus, quanto de produtos já fabricados em tamanho reduzido, como microesferas presentes em cosméticos. Segundo a pesquisadora, mesmo quando não são visíveis, eles continuam presentes e interagem com o meio ambiente. “A poluição não deixa de existir só porque não conseguimos enxergá-la”, destaca.

O estudo também está ligado à preservação dos banhados, áreas úmidas fundamentais para o equilíbrio ambiental. Esses locais funcionam como “esponjas naturais”, ajudando a reduzir alagamentos e armazenando carbono no solo, o que contribui diretamente no combate às mudanças climáticas. No entanto, no Vale do Sinos, mais de 70% dessas áreas já foram perdidas, e as que restam sofrem com a pressão da urbanização e o acúmulo de resíduos.

Além da pesquisa acadêmica, Vanda busca conscientizar a população sobre o descarte correto de resíduos e o consumo consciente. Para ela, pequenas atitudes fazem diferença no dia a dia. “Temos coleta de lixo, mas ainda falta a cultura de não jogar resíduos nas ruas. O que não é recolhido acaba nas bocas de lobo e segue para arroios, banhados e rios”, alerta.

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