O professor e pesquisador campo-bonense José Edimar de Souza participou da produção do documentário “Memórias que a água não levou: escolas-abrigo nas enchentes do RS” (2024), lançado na noite de terça-feira (14), no Teatro Municipal de São Leopoldo. A obra resgata histórias de educadores, estudantes, voluntários e famílias desabrigadas que encontraram acolhimento em escolas durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024.
Coordenado por José Edimar, professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul (UCS), o documentário integra o projeto de pesquisa “Histórias da Escola: Modos de recompor identidades em contextos de desastres climáticos”, desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS). A produção também faz parte do estágio de pós-doutorado da pesquisadora Elisângela Cândido da Silva Dewes, responsável pelo roteiro e pela edição do audiovisual.
As enchentes de 2024 foram consideradas o maior desastre climático da história do Rio Grande do Sul, afetando mais de seis milhões de pessoas em 478 municípios. Além das perdas humanas e materiais, o documentário busca evidenciar outro aspecto da tragédia: a capacidade de reconstrução e solidariedade das comunidades que transformaram escolas em espaços de acolhimento.
Ao longo de dois anos de pesquisa, foram realizadas entrevistas com famílias desabrigadas que permaneceram, em média, quatro meses em escolas das redes municipal, estadual e privada, além de educadores, estudantes e voluntários que atuaram nesses locais. Os depoimentos foram coletados em municípios como Canoas, Porto Alegre, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha e São Valentim do Sul.
Segundo José Edimar, o documentário é resultado de um trabalho coletivo que ultrapassa a produção audiovisual. “O documentário é uma construção coletiva com minha supervisão de um subprojeto desenvolvido pela professora Elisângela da Silva Dewes, que realiza estágio de pós-doutoramento junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da UCS. Ele integra um projeto mais amplo que coordenamos e que resultou também na organização de dois livros, uma cartilha e uma história em quadrinhos”, explica.
O pesquisador destaca que a equipe acompanhou todas as etapas do processo, desde a realização das entrevistas até a supervisão da redação e da edição do material.
José Edimar afirma que o resultado final superou as expectativas da equipe. “Durante a realização das entrevistas já percebíamos o quanto aquele material era potente. O documentário não traz a íntegra dos depoimentos, que duraram entre 30 e 50 minutos, mas pequenos recortes carregados de significado. A obra ficou muito bonita e esse trabalho exigiu enorme sensibilidade da Elisângela, passando por diversas versões até chegar ao resultado final, com apoio técnico da Metamorfose Filmes”, relata.
O professor também adianta que o projeto terá mais um importante desdobramento. “Ainda temos uma produção muito expressiva, que é o livro Cartas para a Escola, escrito por estudantes e com lançamento previsto para outubro. Essa obra encerra o projeto, mas o documentário é algo que nos orgulha muito de ter realizado.”
Mais do que registrar um dos momentos mais difíceis vividos pelo Estado, Memórias que a água não levou reforça o papel das instituições de ensino como espaços de acolhimento, pertencimento e reconstrução da vida em meio à calamidade, preservando a memória coletiva de quem encontrou nas escolas um lugar seguro para recomeçar.
Assista o documentário clicando aqui.














