POR: Hebe Cardoso
Desde 2019, o dia 17 de agosto é oficialmente reconhecido como o Dia Estadual do Patrimônio Cultural, instituído pelo Decreto Estadual nº 54.608/2019. A data impulsiona, em todo o Rio Grande do Sul, uma série de ações que convidam a sociedade a refletir sobre a preservação da memória, da identidade e das manifestações culturais que moldam cada comunidade.
Em Campo Bom, esse movimento ganha um novo impulso por meio da Associação Pró-Memória do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de Campo Bom, entidade fundada em 2004 e que vive um importante momento de renovação. A associação está promovendo um amplo processo de revisão de suas finalidades, atualização de seu estatuto, organização de seu acervo e planejamento de novas ações voltadas à valorização do patrimônio local. Recentemente, a entidade elegeu a diretoria que conduzirá os trabalhos na gestão 2026–2028, composta por Roberto Atkinson, Renilda Gerhardt, Geni Copini, Lenita Lima, Jurandir Blos e Carmen Borher. Além da reorganização institucional, estão sendo estruturados grupos de trabalho que irão discutir projetos e estratégias para ampliar a participação na comunidade por meio da proteção e promoção do patrimônio cultural de Campo Bom.
Esse processo acompanha uma transformação importante na forma como o patrimônio cultural é compreendido em todo o mundo. Em 2005, a UNESCO aprovou a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais, ampliando a visão tradicional de patrimônio, antes centrada principalmente em monumentos e bens históricos.A convenção reconhece que a cultura também se manifesta nas expressões vivas, na criatividade contemporânea e nas diversas formas de produção cultural. Essa perspectiva entende a diversidade cultural como um patrimônio comum da humanidade, indispensável para as gerações presentes e futuras.
Mais do que preservar edifícios ou objetos históricos, ela reforça a importância de garantir que comunidades continuem produzindo cultura, fortalecendo suas identidades por meio da música, da literatura, do cinema, do artesanato, das festas, dos saberes e das demais manifestações que mantêm viva a memória coletiva. A convenção também estabelece que bens e serviços culturais possuem um valor que ultrapassa sua dimensão econômica.
Eles carregam histórias, identidades, modos de viver e formas de compreender o mundo, razão pela qual não podem ser tratados apenas como mercadorias. Ao mesmo tempo, reconhece que a produção e a circulação da cultura contribuem para o desenvolvimento sustentável, fortalecendo comunidades, incentivando a economia criativa e assegurando que diferentes grupos mantenham suas identidades ativas no presente.
É justamente transformar essa visão em ações concretas que tem mobilizado a Associação PróMemória. O desafio de preservar a história sem perder de vista a cultura em constante transformação tornou-se a principal motivação da nova gestão, que pretende aprofundar esse debate e estimular iniciativas capazes de valorizar tanto a memória do passado quanto as expressões culturais que continuam sendo produzidas em Campo Bom.






