A maternidade nem sempre começa na gestação. Às vezes, ela nasce no encontro, cresce na convivência e se fortalece no cuidado diário. A história de Cátia Beatriz Drumm, 35 anos, é prova de que ser mãe vai muito além dos laços de sangue: é, apesar e acima de tudo, uma escolha feita todos os dias.
Aos 24 anos, ao iniciar seu relacionamento com o atual esposo, Fabiano, Cátia também iniciou, sem saber, sua jornada como mãe. Bruno, hoje com 23 anos, já fazia parte da vida do companheiro. Diagnosticado com paralisia cerebral espástica, ele exigia cuidados específicos, uma realidade completamente nova para ela naquele momento.
“Me deu medo”, relembra. Sem experiência com crianças atípicas, vieram as inseguranças: o receio de não dar conta, de não ser suficiente. Mas o que poderia ter afastado, aproximou. Com o tempo, o cuidado virou rotina, a rotina virou vínculo e o vínculo se transformou em amor. Um amor construído, firme, paciente e verdadeiro.
Cátia sempre sonhou em ser mãe. Idealizava uma família com um filho menino e uma menina. E esse sonho ganhou novos contornos com a chegada de Sofia, hoje com 8 anos. A gestação foi planejada, mas trouxe, novamente, dúvidas e medos, especialmente sobre como seria a adaptação de Bruno com a irmã.
A resposta veio em forma de afeto. Desde os primeiros anos, Sofia demonstrou uma conexão única com o irmão. “Parece que ela nasceu sabendo o quanto ele precisa de nós”, conta Cátia. Entre cuidados, companheirismo e até pequenas brigas típicas de irmãos, os dois construíram uma relação marcada por proteção e parceria. “Ninguém mexe com ele. Ela está sempre por perto, cuidando”, diz a mãe.
A rotina da família é organizada em torno desse amor compartilhado. Bruno frequenta a APAE três vezes por semana e realiza acompanhamento médico regular. Cátia e o marido trabalham fora e dividem as responsabilidades com naturalidade, ajustando horários e contando, quando necessário, com o apoio de uma cuidadora. Tudo funciona como uma engrenagem construída com empatia e dedicação.
Mas foi na maternidade em suas diferentes formas que Cátia encontrou sua maior transformação. Ao se tornar mãe do coração, mãe biológica e mãe atípica, ela aprendeu que o amor não se limita, ele se expande.
“Eu mudei completamente. Antes pensava só em mim. Hoje eu entendo que nem tudo é no meu tempo, que é preciso viver o agora e valorizar as pequenas coisas”, reflete. Com Bruno, cada conquista ganha um significado especial. Com Sofia, o amor se multiplicou e trouxe novas camadas de compreensão.
Neste Dia das Mães, a trajetória de Cátia Drumm inspira por sua essência: a de uma mulher que aprendeu que maternidade não se define pelo sangue, mas pelo amor, pelo carinho e pelo cuidado. Uma mãe “três em um”, que mostra, na prática, que ser mãe é estar presente, é acolher, é escolher todos os dias.
Entre desafios e aprendizados, ela resume sua fé na vida e, principalmente, na maternidade, com simplicidade. “Se Deus te confiou, é porque você é capaz”, define.
E é justamente nessa capacidade de amar, independentemente da forma como esse amor chega, que histórias como a de Cátia transformam o significado de ser mãe, tornando-o ainda mais humano, mais profundo e absolutamente inspirador.











