A interferência de moradores de rua nas atividades do comércio, os furtos a residências, escolas e empresas e a sensação de insegurança preocupam lojistas e empresários de Campo Bom. Na última quinta-feira (16), o Comitê da Regional da ACI em Campo Bom reuniu-se com representantes da Brigada Militar, da Guarda Municipal, da Polícia Civil, da administração municipal e do Consepro para debater o tema e definir ações preventivas em conjunto.
Uma das ações em estudo é o desenvolvimento, nos próximos meses, de uma campanha para estimular a população de Campo Bom a fazer o registro de furtos e roubos. Com indicadores mais realistas, as forças de segurança poderão atuar com mais eficiência na prevenção e no combate aos crimes.
Débora Trierweiler, proprietária da Farmácia Apoteka e integrante do Comitê Regional da ACI e do Consepro de Campo Bom, relata que comerciantes têm enfrentado situações difíceis com moradores de rua na área central, além de furtos e transtornos, que também são registrados em bairros.
O secretário municipal de segurança e trânsito, Fernando Lehnen, afirma que a legislação limita a ação das forças de segurança, mas, ainda assim, a Guarda Municipal tem feito operações de fiscalização e identificação de pessoas com histórico de crimes. Um dos locais que são alvo é um galpão junto ao Parcão, onde moradores de rua se reúnem e pressionam a população do entorno.
A maioria dos moradores de rua é dependente química e conhecida das forças de segurança. “Somente a ação dos órgãos de segurança não basta. É necessário apoio psicológico, ação integrada com outras áreas e, em alguns, casos, internação compulsória, que deve ser autorizada por familiares”, explica.
Conforme a vice-prefeita Gênifer Engers, 44 pessoas em situação de rua estão cadastradas no CRAS (já foram 110) e recebem auxílio, como banho e alimentação. Pelos menos três já foram encaminhadas a empregos, mas permaneceram por pouco tempo. “Sabemos dos impactos à comunidade, estamos atentos a situação e estudamos ações”, informou.
O Delegado Rodrigo Câmara afirma que reuniões são realizadas para evitar o cometimento de crimes em toda a região e elogia a atuação conjunta das forças de segurança do município. Câmara diz ser necessária uma alteração da legislação para permitir a internação compulsória de pessoas em situação de rua, independentemente do apoio de familiares.
Revela que indicadores auditados mostram que Campo Bom é uma das cidades com menores índices de criminalidade. Em 2026, apenas 04 arrombamentos foram registados, ante 16 em 2025. “Mas faltam registros, o que impede que BM e GM verifiquem os pontos de maior incidência e coloquem viaturas nos locais”, acrescenta. O registro de ocorrência pode ser feito na Delegacia Online.
Conforme o diretor da Guarda Municipal, Patrick Brendler, a instituição tem conseguido estancar a ação de criminosos, muitos deles conhecidos, especialmente no Centro. “Mas, infelizmente, muitos são presos e soltos no outro dia, mesmo com extensa ficha criminal”, explica.
O capitão Oliveira, comandante local da Brigada Militar, defende uma ‘resposta mais dura aos moradores de rua’, que, em sua avaliação, ‘não podem se sentir confortáveis’. Conforme ele, para o combate aos crimes, é necessário um trabalho integrado entre as forças de segurança, a administração municipal e as empresas. “O problema é mais social do que de segurança pública”, afirma, citando números da BM no município.
Em 2025, não houve nenhum homicídio em Campo Bom e o número de roubos pedestres caiu 56% em relação a 2024. Conforme ele, os indicadores criminais e o mapa de calor é que fazem a Brigada Militar direcionar viaturas aos pontos e nos horários de maior incidência de casos. “Por isso, é fundamental que as vítimas façam o registro de ocorrência”, enfatiza.












