Para muitos de nós, falar sobre a morte e o morrer é um assunto velado, deixado de lado, desviado — um território de silêncio, receios, medos e de muitas crenças trazidas através das gerações.
Não falar da morte é não falar de algo inevitável na vida de todos. É preciso reconhecer a importância dessa temática e criar espaços para falar sobre o luto e suas diversas formas de se manifestar.
O luto não é apenas a dor pela perda de alguém amado, querido. O luto pode ser vivido pela perda de um trabalho, pelo fim de um relacionamento, por mudanças abruptas na vida, pela perda da saúde e até mesmo pela perda de uma versão de si que não voltará mais. O luto também existe quando finalizamos uma etapa de nossas vidas que foi extremamente importante.
Cada um terá uma forma única de vivenciar o luto. Cada um tem a sua história e também seus aprendizados em relação a esse processo da vida. Não existe certo ou errado na forma de vivenciá-lo. Existe o tempo de cada um. No entanto, se após alguns meses a pessoa enlutada não consegue retomar minimamente sua rotina, relacionar-se com as pessoas ou demonstra não querer mais viver, é imprescindível buscar ajuda profissional para uma avaliação.
Com o tempo — que não é igual para todos —, a dor do luto dá lugar a um recomeço. Não é preciso esquecer quem já partiu, mas a vida precisa de espaço para continuar, se transformar e buscar novos significados.
Resgatar atividades de que se gostava, participar de novos grupos, experimentar novos lugares, refazer projetos e olhar a vida por outro ângulo pode ajudar a trilhar um novo caminho, ressignificar valores, criar novas conexões e viver com mais presença.
O luto não é um problema a ser consertado; ele é uma fase da dor pela perda. Ele necessita ser vivido e, por vezes, será composto por momentos leves e outros intensos. O luto pode trazer tristeza, raiva, questionamentos, culpa, alívio, saudade — e tudo isso faz parte dessa trajetória.
Como é importante e necessário falar sobre a morte e o luto! Quebrar tabus e trazer esse assunto para conversas com familiares e amigos é permitir que os sentimentos apareçam e possam ser acolhidos.
Ressignificar sua história não é esquecer o que passou, nem deixar tudo para trás. É permitir-se construir algo novo, dar sentido ao seu viver e não se culpar por continuar.
Preserve as boas memórias, sustente os valores aprendidos, dê espaço à sua história, respeite o que foi vivido e siga por um novo caminho. Não é fácil fazer essa mudança, mas é possível.
POR: Luciana Benetti Rohden | Psicóloga Clínica – Parceira da LFCC – CB
O Jornal A Gazeta é um veículo de comunicação impresso da cidade de Campo Bom/RS fundado em 20 de agosto de 1986. Somos referência em informação e prestação de serviços junto à comunidade. Ética, transparência e responsabilidade social fazem parte da nossa tradição.














