O campo-bonense Paulo Vinicius Spengler, técnico de Enfermagem e acadêmico formando em Enfermagem pela Anhanguera Educacional UNIDERP, assina um artigo que coloca em pauta um tema estratégico para a saúde pública brasileira: a formação de adolescentes para atuação em emergências tempo-dependentes. Com 21 anos de experiência em emergência intra e pré-hospitalar, além de pós-graduação em Urgência e Emergência e UTI Adulto, ele defende a inclusão do Suporte Básico de Vida (SBV) no currículo do Ensino Médio.
Intitulado “Formação estratégica: a importância do treinamento de adolescentes para respostas rápidas em emergências tempo-dependentes”, o artigo destaca que situações como parada cardiorrespiratória, engasgos, traumas graves e perda súbita de consciência exigem intervenção imediata. Segundo o autor, os primeiros minutos são determinantes para a sobrevivência e para a redução de sequelas neurológicas irreversíveis.
No texto, o profissional argumenta que o SBV reúne ações simples e eficazes, como reconhecimento precoce da emergência, acionamento correto do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), realização de compressões torácicas e uso do desfibrilador externo automático (DEA), que podem ser executadas por pessoas treinadas, mesmo sem formação na área da saúde. Para ele, a lacuna entre o momento do colapso da vítima e a chegada do atendimento especializado ainda é um dos principais desafios para a redução da mortalidade extra-hospitalar no Brasil.
Paulo também ressalta o papel estratégico da escola como espaço de socialização e construção de valores. De acordo com o artigo, adolescentes possuem capacidade cognitiva e habilidade prática suficientes para aprender e executar manobras básicas de atendimento, além de apresentarem alto potencial multiplicador, compartilhando o conhecimento com familiares e a comunidade.
Experiências internacionais bem-sucedidas, como as desenvolvidas na Noruega, Dinamarca e Alemanha, onde o ensino sistemático de ressuscitação cardiopulmonar nas escolas resultou em aumento significativo das taxas de reanimação iniciadas por leigos e melhora nos desfechos clínicos também são citadas no material. No Brasil, embora a Lei nº 13.722/2018 (Lei Lucas) tenha tornado obrigatória a capacitação de professores e funcionários em primeiros socorros, o autor aponta que ainda há lacuna na formação direta dos estudantes.
Ao longo do artigo, Paulo defende que a implementação do SBV no Ensino Médio é viável sob os aspectos pedagógico, estrutural e financeiro, podendo ser realizada por meio de parcerias entre escolas e profissionais da saúde. Para ele, investir na capacitação de jovens significa fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), reduzir custos assistenciais e, sobretudo, salvar vidas.
“Este é um momento muito especial na minha profissão, pois, de certa forma, valoriza e ajuda a divulgar ainda mais este tema tão importante”, destaca Paulo. Para o campo-bonense, a educação em saúde não deve ser vista como ação pontual, mas como estratégia estruturante. Ao capacitar adolescentes para agir diante de situações críticas, a sociedade amplia sua rede de resposta comunitária e consolida uma cultura de prevenção, responsabilidade coletiva e valorização da vida.











