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Um dia de celebração e de conscientização

Redação / AG por Redação / AG
19 de novembro de 2021
em Comunidade
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Um dia de celebração e de conscientização
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No dia 20 de novembro comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra. A data é uma celebração e, também, de conscientização da população negra e todos em geral sobre a força, a resistência e o sofrimento que o povo negro viveu no Brasil desde a colonização.

A data foi incluída no calendário escolar nacional em 2003, porém, apenas em 2011, a então presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a Lei nº 12.519 que instituiu oficialmente o dia como o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. No entanto, para ser decretado feriado, cada estado ou cidade brasileira precisa aprovar uma lei regulamentando o feriado.

A data também serve para debater a importância do povo e da cultura africana no Brasil, com seus respectivos impactos políticos no desenvolvimento da identidade cultural brasileira, seja por meio da música, da política, da religião ou da gastronomia entre várias outras áreas que foram profundamente influenciadas pela população negra.

Para celebrar a data, o Jornal A Gazeta conversou, com exclusividade, com os rostos e as vozes do grupo 50 Tons e Pretas, Graziela Pires e a Dejeane Arruée, sobre o significado da resistência de sua cor.

Jornal A Gazeta: Qual a importância do dia da consciência negra para vocês?
Dupla:
É um dia de luta, de reflexão, de denúncia. Já avançamos, porém ainda temos um longo caminho a percorrer ainda em busca de igualdade e equidade. Os dados, os números, nos apontam uma realidade que ainda é muito desigual ao povo preto. Para além das práticas de conscientização, é preciso reagir mais firmemente aos crimes de racismo e injúria racial, por exemplo. Dia da Consciência Negra é um dia para negros e não negros pensarem juntos soluções de práticas antirracistas que possam de fato impactar a sociedade, e ultrapassem as redes socias.

AG: Como mulheres, negras e LGBTs, a luta de vocês se torna ainda maior. Como vocês lidam com tantos preconceitos diariamente em um país tão desigual?
Dejeane:
Ser mulher negra, lésbica e artista é uma luta diária, é encontrar portas fechadas todo dia, é resistência contra todo tipo de opressão, violência e preconceito… A militância se faz necessária pra dizer que existimos e estamos na batalha, sobrevivendo como todos.

AG: Houve algum fato marcante de preconceito na vida de vocês?
Grazi:
Quando a gente revisita as memórias, a gente encontra diversos fatos, cenas e episódios de racismo a que fomos submetidas. Mas na época, como nunca a escola falava sobre isso, a gente sofria calada. Não questionava. Uma das cenas que me marcou foi minhas primas ensaiando pro concurso de paquitas da Xuxa, decorando todos os passos e se permitindo sonhar, e minha tia tendo que dizer pra elas que elas nunca seriam aceitas. Que eles jamais aceitariam meninas negras para ser paquitas. Na época, esse episódio era lido como natural. Hoje, isso não seria mais aceito. A custo de muita luta dos movimentos negros, dos intelectuais e artistas pretos e pretas, vem se buscando esse espaço de igualdade em oportunidades, de representatividade e de diversidade.

AG: Falem um pouco mais de cada conquista de cada uma de vocês.
Dejeane:
Sou graduada em Música. Sou regente de banda, trombonista e arranjadora. Na banda 50 Tons de Pretas atuo como cantora e multi-instrumentista e assino a produção musical. Na minha caminhada, de mais de 25 anos, já teve diferente bandas e gravei com muitos nomes da nossa cena musical como: Tonho Crocco, Tati Portella e Alemão Ronaldo. Minha caminhada na música começou em escola pública tocando diversos instrumentos na banda marcial e, com 15 anos, já estava tocando na noite de Porto Alegre acompanhada dos pais e irmãos. Sempre fui a única mulher entre vários homens nos ambientes musicais no universo de bandas que participei e sempre fui resistência e atitude como mulher negra e lésbica que sou… me destaquei pela minha competência e capacidade de transformação.

Grazi: Sou Bacharela em Musicoterapia. Sou regente de coros, cantora e compositora e atuo na música há mais de 15 anos. Sempre tive projetos de violão e voz e de cerimoniais para casamento até criarmos a 50 Tons de Pretas, minha primeira experiência com banda própria. Sempre amei estar no palco, mas a criação da 50 Tons de Pretas e todo esse sonho que estamos realizando foi algo totalmente despretensioso no início e hoje é o sonho que move as nossas vidas.
Atualmente além da banda, regemos a Pretas Produções e projetos sociais como o Uma Sinfonia Diferente RS Musical protagonizado por crianças e jovens com autismo. Também oferecemos assessoria para artistas independentes na gestão de carreira, escrita de projetos e editais.

AG: O que vocês sonham para o futuro?
Dupla:
Sonhamos levar nossa música e nossa mensagem cada vez mais longe. Nossa meta é transpor as barreiras geográficas e de estilos musicais para dialogar com várias pessoas e de todo o país e quem sabe até fora dele. A música é nossa principal ferramenta de luta e acreditamos muito na sua capacidade de transformação. Então, queremos seguir lutando com nossa arte e inspirando pessoas a sonhar, acreditar, e brigar por um mundo melhor e justo para todos.

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Neste 8 de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher reconhecendo a força, a sensibilidade e a determinação de mulheres que transformam realidades todos os dias. Mais do que uma data comemorativa, é um momento de reflexão sobre conquistas, desafios e, principalmente, sobre o papel essencial que elas desempenham na construção de uma sociedade mais justa, humana e igualitária. Em cada espaço ocupado, seja na liderança, no cuidado, na gestão ou no trabalho diário, há histórias de coragem, dedicação e inspiração.

Sofia Godoy, Atleta.

Apesar da pouca idade, a skatista Sofia Godoy já se mostra um exemplo de mulher a ser seguido. Atualmente com 17 anos, a atleta iniciou no esporte aos 11, por influência do pai. Ainda que o skate tenha sido, por muitos anos, uma prática majoritariamente masculina, Sofia conta que não sentiu preconceito quando iniciou nas competições, pois outras mulheres já haviam iniciado anteriormente. “Sei que se eu tivesse começado pouco tempo antes, isso provavelmente teria sido diferente. Gosto muito de escutar as meninas que começaram no skate por minha influência, isso com certeza me motiva ainda mais”, conta.
A jovem skatista que leva o nome de Campo Bom em competições mundo afora aconselha meninas que sonhem em viver do esporte. “Se esse é seu sonho, não desista. Mesmo que tenham momentos difíceis, é muito importante que sua vontade de realizar seja muito maior que os dias ruins. Claro que você vai cair, às vezes se machucar, mas tem que sempre levantar e ir de novo, já pronta para a próxima”, conclui.

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Marlete da Silva, Industriária.

A comunidade campo-bonense sempre foi marcada pela sua resiliência e pela força do trabalho. Marlete da Silva, de 56 anos, é uma das mulheres que tão bem representam a classe trabalhadora da cidade. Atuando como conserteira em fábrica de calçados, ela criou os dois filhos, atualmente com 20 e 28 anos, como mãe solo. “Acho que o Dia da Mulher é muito importante para fortalecer o crescimento de mulheres que passaram por alguma situação e conseguiram dar a volta por cima, independente do que passou. Com muito orgulho, eu sou uma delas”, menciona.

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Elizane Barcelos, Empresária.

Uma empresa familiar que iniciou pelas mãos e talento de uma mulher e, hoje, se tornou uma das principais marcas da cidade. Elizane Barcelos de Menezes, de 54 anos, é mãe de três filhos e avó de dois netos. Iniciou na produção calçadista há 17 anos e consagrou a empresa Zanni Barcelos como uma marca conceituada. Como mulher, ela destaca os desafios de empreender. “Acho que a maior dificuldade é conciliar casa e trabalho. Sendo empresária, temos muitas demandas que exigem nossa presença constante”, comenta. Para mulheres que sonhem em começar o próprio negócio, ela deixa um conselho. “Analisar a viabilidade do empreendimento e começar, ter muita determinação. Vão surgir muitas dificuldades, tem que ter muita resiliência pra vencer”, reforça.

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Brenda Brentano, Maquiadora.

Atuar na área da beleza é muito mais do que cuidar da aparência das pessoas. O que começou como um hobby se transformou em paixão e profissão para a maquiadora Brenda Brentano, de 33 anos. “Eu digo que a maquiagem que me escolheu. Comecei a me automaquiar, justamente para elevar minha autoestima. Minhas amigas começaram a me pedir para maquiá-las, pois gostavam do que eu fazia, o que acabou virando um hobby. Depois, decidi me aprofundar no assunto e seguir como profissão”, conta.
Ela conta a satisfação de ver a felicidade no olhar de cada cliente. “Pra mim é muito gratificante ver minhas clientes se amando, gostando de se ver bonita, a maioria das vezes uma beleza que sempre esteve ali, mas estava escondida por não tirar um momento para si. Ver elas bem e empoderadas é indescritível, saber que estou trazendo à tona algo bom e relevante para a vida delas. Com certeza é umas das coisas que me move a seguir nessa profissão”, conclui.

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Naama da Rosa, Enfermeira.

Aos 34 anos, Naama Laísa da Rosa ocupa o cargo de coordenadora das Unidades de Internação do Hospital Lauro Reus e docente. Profissional da enfermagem há 14 anos, ela destaca que, apesar de cerca de 85% dos profissionais da saúde serem mulheres, os cargos de liderança são ocupados, majoritariamente, por homens. “É um desafio ocupar e manter um cargo de liderança sendo mulher, onde existem barreiras culturais e estruturais de muitos anos. Temos que mostrar que temos competência e capacidade para alcançar esse cargo, muito mais que os homens”, destaca.
Para Naama, a busca constante pelo conhecimento é o caminho para conquistar os objetivos. “Sempre há novos estudos, protocolos, fluxos, a ciência é muito rápida nas descobertas e evoluções. A mulher que quer crescer e se desenvolver em cargos de gestão e liderança na área da saúde precisa ter conhecimento tanto nos processos de saúde, quanto de gestão e desenvolver a liderança. Além de resiliência e paciência para lidar com os desafios diários”, reforça, lembrando que o caminho é árduo, porém, recompensador. “É uma área que vale a pena, pois fazemos a diferença na vida das pessoas e dos profissionais que lideramos. Ser líder na área da saúde é ser referência para os profissionais e auxiliar em uma melhor assistência ao paciente sob nossos cuidados, e apesar de todos os obstáculos, o resultado desse trabalho é gratificante”, pontua.

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Josiane Wais, Sargento da Brigada Militar.

Há 14 anos, Josiane Wais compõe o efetivo da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Aos 32 anos de idade, é uma das mulheres que atua em Campo Bom, no posto de 1° Sargento da BM. Para ela, a atuar na Segurança Pública exige decisões firmes, equilíbrio emocional e postura diante de situações complexas. “Sendo mulher, além dos desafios próprios da função, também assumimos a responsabilidade de abrir caminhos e fortalecer a presença feminina na instituição. Ainda é uma área majoritariamente masculina, mas temos demonstrado, ao longo dos anos, que estamos plenamente preparadas para ocupar qualquer espaço”, pontua.
Sgt Wais encoraja outras mulheres que desejam entrar para a Segurança Pública. “Não é uma profissão simples. Exige disciplina, preparo físico e emocional e muita responsabilidade. Mas também é uma carreira extremamente gratificante, porque lidamos diretamente com a proteção da sociedade. Meu conselho é: estudem, se qualifiquem e ingressem sabendo que vocês pertencem a esse espaço. O lugar da mulher é onde ela decide estar”, finaliza.

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