O número de ocorrências por tráfico de drogas em Campo Bom acende um sinal de alerta para as autoridades de Segurança Pública, especialmente diante da concentração dos casos em regiões específicas do município. Dados da Brigada Militar apontam que, ao longo de 2025, foram registradas 113 ocorrências relacionadas ao crime.
O levantamento revela um cenário desigual entre os bairros, com destaque para o Rio Branco, que lidera com ampla margem: foram 40 registros, mais de um terço do total. Na sequência aparecem Aurora, Barrinha e Paulista, com 9 ocorrências cada. Outros bairros como Porto Blos e Santo Antônio somam 6 casos, enquanto regiões como Mônaco, Centro e Santa Lúcia apresentam números menores, mas ainda relevantes dentro do contexto geral.
A tendência observada no ano passado se mantém em 2026. Das 12 ocorrências de tráfico divulgadas até o momento pelo Jornal A Gazeta, 8 foram registradas novamente no bairro Rio Branco. Um dos casos chama atenção pela reincidência: um suspeito foi preso duas vezes em um intervalo de apenas três dias. As demais ocorrências foram registradas nos bairros Barrinha (2), Jardim do Sol e Aurora.
De acordo com o Capitão Oliveira, comandante da Brigada Militar em Campo Bom, grande parte das ações tem origem no trabalho de inteligência da corporação. Ainda assim, ele aponta um entrave recorrente no combate ao crime. “Nossa maior dificuldade são os presos que logo são soltos”, afirma.
A análise da Polícia Civil reforça o caráter estrutural do problema. Segundo o delegado Rodrigo Câmara, responsável pela delegacia local, a maioria dos indivíduos presos por tráfico já possui antecedentes criminais pelo mesmo tipo de delito, além de envolvimento com organizações criminosas. “Trata-se, em sua maior parte, de indivíduos com trajetória consolidada no tráfico, inseridos em estruturas hierarquizadas, e não de casos isolados”, destaca.
Para o delegado, a redução dos índices passa por uma atuação integrada e contínua. Entre as medidas apontadas estão o fortalecimento do trabalho de inteligência, com investigações aprofundadas e identificação de lideranças criminosas, a integração entre as forças de segurança e o Ministério Público, além da implementação de políticas públicas de prevenção, com foco em jovens em situação de vulnerabilidade.
Diante dos números, especialmente no bairro Rio Branco, o cenário reforça a necessidade de estratégias mais amplas e permanentes para conter o avanço do tráfico e seus impactos na segurança da população.













