O mês de janeiro é marcado nacionalmente pela campanha Janeiro Branco, que busca conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e emocional. Em Campo Bom, o tema ganha ainda mais relevância neste início de ano, ao reforçar a necessidade de diálogo, acolhimento e prevenção.
A campanha alerta que cuidar da saúde mental é tão essencial quanto cuidar da saúde física. Transtornos como ansiedade, depressão e estresse podem afetar pessoas de todas as idades e, muitas vezes, são enfrentados em silêncio, especialmente em períodos em que existe uma expectativa social de felicidade, descanso e bem-estar.
Segundo a psicóloga e neuropsicóloga Lisiane Cardoso Arnhold, o início do ano costuma vir carregado de metas, promessas, férias, sol, encontros e redes sociais em alta. “Existe quase uma obrigação silenciosa de estar bem e feliz. Mas nem todo sofrimento tira férias. Nem toda dor termina com a chegada do verão”, explica.
Curiosamente, é também nesse período que muitos consultórios de psicologia registram queda na procura por atendimento. Sessões são adiadas e o cuidado emocional é empurrado para depois. Enquanto isso, o sofrimento segue presente e, em alguns casos, se intensifica no silêncio.
“O verão pode escancarar comparações, solidão, sensação de não pertencimento e um cansaço emocional acumulado do ano que passou. A rotina muda, os vínculos diários se afastam e aquilo que já machucava por dentro ganha mais força”, observa a profissional.
Outro alerta importante é que o sofrimento emocional nem sempre se manifesta de forma evidente. Muitas vezes, ele aparece camuflado em sorrisos e frases como “tá tudo bem”, “não quero preocupar ninguém” ou “tem gente com problemas piores”. Por isso, especialistas reforçam que familiares, amigos e a comunidade têm papel fundamental ao perceber sinais como isolamento, tristeza persistente, mudanças bruscas de comportamento ou falas de desesperança.
“O Janeiro Branco nos convida a olhar para além do óbvio. A ideação suicida não escolhe estação, não depende do clima e não respeita calendários. Ela pode existir mesmo quando tudo parece estar bem por fora”, destaca Lisiane.
Em Campo Bom, a população conta com atendimento psicológico por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além do acompanhamento especializado oferecido pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). A orientação é que, ao identificar sinais de sofrimento emocional, a pessoa procure ajuda o quanto antes.
O Janeiro Branco reforça que falar sobre saúde mental é um ato de presença, escutar com atenção é um gesto de responsabilidade e procurar ajuda é um movimento de coragem — nunca de fraqueza. Como lembra a psicóloga, “a dor importa e merece cuidado. Ninguém precisa atravessar isso sozinho. Cuidar da saúde mental não pode entrar em férias”.
Onde buscar ajuda em Campo Bom:
• Atendimento psicológico: Unidades Básicas de Saúde (UBSs)
• Atendimento especializado: CAPS
• Apoio emocional 24 horas: Centro de Valorização da Vida (CVV)
📞 188 ou www.cvv.org.br















