Era uma manhã comum de terça-feira, na qual milhares de campo-bonenses seguiam sua rotina normalmente. No entanto, uma cena flagrada na principal avenida da cidade se tornou símbolo de leveza, criatividade e carisma.
Guilherme Machado, de 28 anos, trabalha como gari no caminhão de coleta seletiva pelas ruas de Campo Bom ao lado dos colegas de turno Patrick Gaspar, Andrei França, Vinicius Rosa e Ismael Guedes. Na manhã do dia 24 de fevereiro, o dia iniciou com um imprevisto: precisariam cumprir o itinerário da coleta com um caminhão diferente do habitual.
A equipe seguia o roteiro normalmente, frustrados com a troca do veículo, até que um objeto mudou o dia. Em uma das paradas para coleta dos resíduos, um violão foi encontrado, deixado na rua para descarte. “Recolhi o violão e decidi tocar para descontrair e tornar o dia um pouco mais leve”, conta Guilherme.
Mesmo sem saber controlar as cordas e encontrar as notas do instrumento, Guilherme se acomodou na parte de trás do caminhão e começou a tocar. Imediatamente, os colegas acompanharam e, em coro, iniciaram as músicas. “A gente gosta de sofrência. Naquele dia, cantamos Milionário e José Rico”, lembram os garis.
A descontração da cena foi flagrada pela psicóloga Débora Mello, que seguia pela Avenida Brasil, a caminho de mais um dia de atendimentos no consultório. A campo-bonense gravou o vídeo dos profissionais da coleta e publicou nas redes sociais, junto de uma mensagem motivacional. “Porque felicidade também mora nos encontros simples. Na leveza. No bom humor de quem trabalha enquanto o mundo passa. Que a gente nunca perca a capacidade de ser tocado pelo que é simples. Nem sempre é sobre grandes conquistas. Às vezes, é sobre encontrar alegria no caminho”, escreveu ela. O registro despretensioso viralizou e já soma mais de 200 mil visualizações nas redes sociais.
Em entrevista à reportagem, Débora destacou que o episódio ganhou ainda mais significado diante da realidade que vivencia diariamente em seu consultório. “Todos os dias recebo pessoas com muitas demandas de depressão, ansiedade e sofrimento emocional. Essa atitude do Guilherme serve como inspiração. Mostra que, mesmo em um dia difícil, é possível levar leveza para si e para os outros”, comentou.
Para Guilherme, o momento seria somente de descontração da equipe, apenas para tornar o trajeto mais alegre, mas se tornou uma lição. “É muito especial saber que esse vídeo está servindo de motivação para muitas pessoas. Para mim, aquele momento foi de leveza, e ver que ele está inspirando outras pessoas torna tudo ainda mais significativo. Obrigado!”, comentou ele.
A cena simples, registrada em meio à rotina urbana, tornou-se símbolo de sensibilidade, criatividade e empatia. Desde o dia 24 de fevereiro, o violão é o novo companheiro da equipe, para transformar momentos corriqueiros em gestos de resiliência.













