No dia 8 de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher reconhecendo a força, a sensibilidade e a determinação de mulheres que transformam realidades todos os dias. Mais do que uma data comemorativa, é um momento de reflexão sobre conquistas, desafios e, principalmente, sobre o papel essencial que elas desempenham na construção de uma sociedade mais justa, humana e igualitária. Em cada espaço ocupado, seja na liderança, no cuidado, na gestão ou no trabalho diário, há histórias de coragem, dedicação e inspiração.
Em Campo Bom, essas histórias têm nome, rosto e trajetória. São mulheres que fazem a diferença na política, na saúde, no esporte, na segurança pública, no empreendedorismo, na área da beleza e no trabalho cotidiano que move a cidade. Nesta homenagem, damos voz a algumas delas, representantes de tantas outras que, com talento e determinação, ajudam a construir uma cidade mais forte, acolhedora e cheia de oportunidades.

Gênifer Engers – vice-prefeita
Professora, esposa, mãe de dois filhos, primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Campo Bom. Aos 40 anos, a vice-prefeita Gênifer Engers comenta que ocupar um dos cargos políticos mais importantes da cidade tem um significado muito profundo. “Vai além da função: é sobre representatividade, sobre abrir caminhos e mostrar que nós podemos, e devemos, estar onde as decisões são tomadas. Viver este momento é a prova de que coragem e trabalho transformam história”, destaca. “Ser mulher na política ainda significa enfrentar desafios e julgamentos maiores. Mas cada etapa da minha trajetória, como professora, vereadora, secretária de Obras, mãe e esposa, moldou a líder que sou hoje. Aprendi a ouvir, a cuidar, a ser firme quando necessário e sensível diante das dores das pessoas. Carrego comigo a força da mulher que trabalha, que educa, que administra a casa e que também governa”, acrescenta.
A vice-prefeita ainda pontua suas expectativas para o futuro das mulheres na política. “Acredito que, para que mais mulheres ocupem esses espaços, precisamos incentivar nossas meninas a sonhar grande, fortalecer a formação política e garantir oportunidades reais, não simbólicas. Precisamos combater o preconceito todos os dias e construir uma sociedade onde a mulher não precise escolher entre sua família e sua vocação pública”, conclui.

Josiane Wais – sargento
Há 14 anos, Josiane Wais compõe o efetivo da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Aos 32 anos de idade, é uma das mulheres que atua em Campo Bom, no posto de 1° Sargento da BM. Para ela, atuar na Segurança Pública exige decisões firmes, equilíbrio emocional e postura diante de situações complexas. “Sendo mulher, além dos desafios próprios da função, também assumimos a responsabilidade de abrir caminhos e fortalecer a presença feminina na instituição. Ainda é uma área majoritariamente masculina, mas temos demonstrado, ao longo dos anos, que estamos plenamente preparadas para ocupar qualquer espaço”, pontua.
Sgt Wais encoraja outras mulheres que desejam entrar para a Segurança Pública. “Não é uma profissão simples. Exige disciplina, preparo físico e emocional e muita responsabilidade. Mas também é uma carreira extremamente gratificante, porque lidamos diretamente com a proteção da sociedade. Meu conselho é: estudem, se qualifiquem e ingressem sabendo que vocês pertencem a esse espaço. O lugar da mulher é onde ela decide estar”, finaliza.

Brenda Brentano – maquiadora
Atuar na área da beleza é muito mais do que cuidar da aparência das pessoas. O que começou como um hobby se transformou em paixão e profissão para a maquiadora Brenda Brentano, de 33 anos. “Eu digo que a maquiagem que me escolheu. Comecei a me automaquiar, justamente para elevar minha autoestima. Minhas amigas começaram a me pedir para maquiá-las, pois gostavam do que eu fazia, o que acabou virando um hobby. Depois, decidi me aprofundar no assunto e seguir como profissão”, conta.
Ela conta a satisfação de ver a felicidade no olhar de cada cliente. “Pra mim é muito gratificante ver minhas clientes se amando, gostando de se ver bonita, a maioria das vezes uma beleza que sempre esteve ali, mas estava escondida por não tirar um momento para si. Ver elas bem e empoderadas é indescritível, saber que estou trazendo à tona algo bom e relevante para a vida delas. Com certeza é umas das coisas que me move a seguir nessa profissão”, conclui.

Sofia Godoy – skatista
Apesar da pouca idade, a skatista Sofia Godoy já se mostra um exemplo de mulher a ser seguido. Atualmente com 17 anos, a atleta iniciou no esporte aos 11, por influência do pai. Ainda que o skate tenha sido, por muitos anos, uma prática majoritariamente masculina, Sofia conta que não sentiu preconceito quando iniciou nas competições, pois outras mulheres já haviam iniciado anteriormente. “Sei que se eu tivesse começado pouco tempo antes, isso provavelmente teria sido diferente. Gosto muito de escutar as meninas que começaram no skate por minha influência, isso com certeza me motiva ainda mais”, conta.
A jovem skatista que leva o nome de Campo Bom em competições mundo afora aconselha meninas que sonhem em viver do esporte. “Se esse é seu sonho, não desista. Mesmo que tenham momentos difíceis, é muito importante que sua vontade de realizar seja muito maior que os dias ruins. Claro que você vai cair, às vezes se machucar, mas tem que sempre levantar e ir de novo, já pronta para a próxima”, conclui.

Marlete da Silva – industriária
A comunidade campo-bonense sempre foi marcada pela sua resiliência e pela força do trabalho. Marlete da Silva, de 56 anos, é uma das mulheres que tão bem representam a classe trabalhadora da cidade. Atuando como conserteira em fábrica de calçados, ela criou os dois filhos, atualmente com 20 e 28 anos, como mãe solo. “Acho que o Dia da Mulher é muito importante para fortalecer o crescimento de mulheres que passaram por alguma situação e conseguiram dar a volta por cima, independente do que passou. Com muito orgulho, eu sou uma delas”, menciona.

Elizane Barcelos – empresária
Uma empresa familiar que iniciou pelas mãos e talento de uma mulher e, hoje, se tornou uma das principais marcas da cidade. Elizane Barcelos de Menezes, de 54 anos, é mãe de três filhos e avó de dois netos. Iniciou na produção calçadista há 17 anos e consagrou a empresa Zanni Barcelos como uma marca conceituada. Como mulher, ela destaca os desafios de empreender. “Acho que a maior dificuldade é conciliar casa e trabalho. Sendo empresária, temos muitas demandas que exigem nossa presença constante”, comenta.
Para mulheres que sonhem em começar o próprio negócio, ela deixa um conselho. “Analisar a viabilidade do empreendimento e começar, ter muita determinação. Vão surgir muitas dificuldades, tem que ter muita resiliência pra vencer”, reforça.

Naama da Rosa – enfermeira
Aos 34 anos, Naama Laísa da Rosa ocupa o cargo de coordenadora das Unidades de Internação do Hospital Lauro Reus e docente. Profissional da enfermagem há 14 anos, ela destaca que, apesar de cerca de 85% dos profissionais da saúde serem mulheres, os cargos de liderança são ocupados, majoritariamente, por homens. “É um desafio ocupar e manter um cargo de liderança sendo mulher, onde existem barreiras culturais e estruturais de muitos anos. Temos que mostrar, muito mais que os homens, que temos competência e capacidade para alcançar esse cargo.”, destaca.
Para Naama, a busca constante pelo conhecimento é o caminho para conquistar os objetivos. “Sempre há novos estudos, protocolos, fluxos, a ciência é muito rápida nas descobertas e evoluções. A mulher que quer crescer e se desenvolver em cargos de gestão e liderança na área da saúde precisa ter conhecimento tanto nos processos de saúde, quanto de gestão e desenvolver a liderança. Além de resiliência e paciência para lidar com os desafios diários”, reforça, lembrando que o caminho é árduo, porém, recompensador. “É uma área que vale a pena, pois fazemos a diferença na vida das pessoas e dos profissionais que lideramos. Ser líder na área da saúde é ser referência para os profissionais e auxiliar em uma melhor assistência ao paciente sob nossos cuidados, e apesar de todos os obstáculos, o resultado desse trabalho é gratificante”, pontua.











