As Eleições 2026 estão se aproximando e, como é de conhecimento da grande maioria dos campo-bonenses, teremos pelo menos um representante de Campo Bom em busca de uma vaga na Assembleia Legislativa. O ex-prefeito Luciano Orsi (PDT), que governou a cidade entre 2017 e 2024, lança oficialmente sua pré-candidatura a deputado estadual no dia 12 de março. Nesta matéria, trouxemos as expectativas de Luciano para a campanha e objetivos em caso de vitória nas urnas, em outubro.
Jornal A Gazeta: O que o motiva a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa?
Luciano Orsi: O que me motiva é ampliar para toda a região o que fizemos em Campo Bom. Na Assembleia, são trabalhados temas estaduais, mas o objetivo principal é cuidar dos interesses do Vale do Sinos e da Grande Porto Alegre especialmente. Uma coisa que já fiz como presidente da Famurs em momentos difíceis e delicados. Então eu sei o quanto um trabalho junto ao governo do Estado, junto à Assembleia Legislativa, de articulação, de liberação de pendências, de busca de programas para beneficiar a nossa região é importante. Trabalhar nesse sentido é o meu objetivo e acredito que, por tudo que eu já passei na minha vida, tanto privada, quanto pública, eu esteja preparado para dar essa contribuição para minha região e para o meu Estado.
AG: Dadas as diferenças entre Executivo e Legislativo, como você espera contribuir, se eleito, como deputado?
Luciano: São poderes diferentes, atribuições diferentes, mas elas são complementares. Nós temos uma grande experiência como Executivo Municipal, graças a Deus bem-sucedida, e acho que isso facilita muito. Por isso, nós precisamos ter mais representantes que entendam das nossas necessidades, que entendam como as coisas funcionam nos municípios, as nossas matrizes econômicas, as nossas forças, nossos pontos positivos, mas também as ameaças que sofremos, e poder trabalhar no sentido de fortalecer toda a região.
AG: Como você avalia a aceitação da comunidade de Campo Bom aos seus mandatos como prefeito? Como tem sido a recepção à pré-campanha a deputado?
Luciano: Eu acredito que nós conseguimos fazer uma coisa que é muito difícil na política, que é aumentar a nossa aceitação junto à comunidade de Campo Bom. Iniciamos como uma pessoa que não tinha experiência na área pública, sempre trabalhando na iniciativa privada, e terminamos conseguindo conciliar esse entendimento de quem veio de fora e fez um trabalho inovador, trazendo pessoas da comunidade, empresários, lideranças, profissionais liberais e que fizeram um grande trabalho, e isso foi amplamente reconhecido. Até porque nós conseguimos realmente dar uma volta muito grande por cima, pegando o Município com dívidas, inclusive com bloqueios, mas conseguimos sanar isso e fazer investimentos históricos na cidade, o que mostra que, embora não tivéssemos experiência na área pública, nossa capacidade de gestão, de olhar a coisa de fora, se fortaleceu. E isso foi percebido e avaliado pela comunidade, que aceita hoje, de maneira muito recompensadora para mim, nos dando apoio, dizendo que é isso mesmo, que temos que seguir; alguns, claro, ainda brincam, “mas não vai voltar a ser prefeito?”, graças à proximidade que construímos com a comunidade. Mas, com certeza, a comunidade entende o papel importante que o deputado estadual pode ter, auxiliando a região e especialmente a sua comunidade. Esse entendimento faz com que as pessoas nos deem muito apoio, reconhecendo o trabalho feito e que podemos fazer ainda mais estando na Assembleia Legislativa, próximo ao governo do Estado.
AG: Qual é o maior problema do Estado hoje e como você pode ajudar a solucioná-lo como deputado?
Luciano: Eu acredito que o Estado avançou e conseguiu se organizar melhor nos últimos anos, controlando as despesas, conseguindo botar uma certa ordem na casa. Hoje o estado paga os salários em dia, tem várias parcerias com os municípios, coisa que não tinha até um tempo atrás, quando não tinha capacidade de investimento. Com ajuda do governo federal, claro, com recursos que tem vindo, mas, acima de tudo, com uma gestão que eu considero qualificada.
Eu tenho uma visão de que é importantíssimo, muito necessário, trabalhar o desenvolvimento econômico, as potencialidades do Estado e dos municípios, trazer novos empreendimentos, mas também que é muito importante não deixar de investir na qualidade de vida das pessoas, na educação como ponto fundamental, em uma saúde de qualidade e ter também, como temos em Campo Bom, opções de lazer, esportivas, de entretenimento… um desenvolvimento integrado. Não deixamos de olhar para nenhum ponto, cuidando de todos e conseguindo fazer com que a cidade crescesse, com investimentos como o da Verallia, maior da história da cidade, e vários outros que colocaram a cidade num outro patamar. E nós queremos que cada vez mais isso seja fomentado.
AG: Quais serão as tuas prioridades na Assembleia? Qual bandeira será inegociável no seu mandato?
Luciano: A minha prioridade na Assembleia será principalmente a educação, a educação como ponto de partida para que possamos ter uma qualificação cada vez maior. Hoje nós estamos perdendo muitos jovens, muitos empreendedores, muitos cérebros, para Santa Catarina e para outros estados. Nós estamos trabalhando forte para recuperar isso na questão tecnológica e acho que isso tem que ser fomentado ainda mais. Queremos trabalhar, então, a educação, a tecnologia, o apoio ao setor empreendedor, mas também ter um cuidado bastante forte com as pessoas que mais precisam. Eu sempre me baseei muito na questão de ser justo, então queremos trabalhar questões que tragam justiça às pessoas. Garantir que as pessoas tenham condições de empreender, de melhorar de vida, mas não deixando de estender a mão para as pessoas que precisam, seja de assistência social, saúde, nas questões que realmente são impactantes na vida de cada pessoa.
A bandeira inegociável será a educação, o acesso à educação de qualidade, melhorar as condições das nossas escolas a nível estadual. Sabemos que aqui em Campo Bom nós temos uma realidade bastante boa nas escolas municipais, mas que cai muito em qualidade quando chega no ensino estadual. Estão sendo feitos alguns movimentos, a questão da escola integral, são avanços importantes, mas ainda assim muito abaixo do que entendemos que seja necessário. Nós teremos que fazer grandes investimentos na educação para garantir que todos, absolutamente todos, tenham acesso à educação de qualidade, desde a escola infantil até o ensino superior, mestrado, doutorado… Que possamos oferecer isso com muita qualidade, para que tenhamos assim um desenvolvimento sustentável, ampliando a qualificação, porque quando estamos mais qualificados, rendemos mais, conseguimos agregar valor ao nosso trabalho e com isso toda a sociedade cresce. Valorizar a educação é um ponto que eu não abro mão.
AG: Se eleito, qual é o primeiro projeto de lei que você pretende apresentar?
Luciano: Com certeza, muitas coisas nós entendemos que precisam avançar. É claro que tem que se considerar o binômio necessidade-oportunidade. A necessidade existe, mas nem sempre existe a possibilidade, e eu sempre fui muito centrado neste ponto. Então nós queremos olhar para o que nós realmente podemos avançar. Eu diria que, com certeza, projetos na área da educação, sugerindo questões ligadas à valorização do esporte, melhores espaços para a prática do esporte escolar, também em relação a capacitar mais os nossos professores, resultando numa melhor qualidade da educação. E isso tem que ser oferecido sem custo, porque é uma coisa que não só melhora a remuneração deles, mas o ganho para sociedade é muito grande, porque a capacitação traz mais qualidade ao trabalho desses profissionais.
Outra questão, que no nosso governo em Campo Bom nós sempre tivemos muitos investimentos, é a segurança pública. Nós criamos a Secretaria Municipal de Segurança, criamos a Guarda Municipal… Através do PISEG, empresas podem doar parte do seu ICMS para investimento nas forças de segurança, mas hoje as guardas municipais, que são instrumentos importantes que auxiliam na segurança pública, não estão inseridas no programa, acaba tudo saindo do bolso do Município. Se nós temos condições para que as nossas empresas invistam nas forças de segurança estaduais, porque também os municípios não têm? Tem uma lei aprovada, mas que não foi implementada. Queremos brigar para que essa implementação, essa liberação dentro do PISEG, aconteça logo, valorizando os nossos municípios, que investem na segurança. É uma coisa que eu quero brigar desde o primeiro momento para que seja revisto, porque nós sabemos o quanto os municípios investem numa atividade que seria do Estado, mas havia a necessidade, por falta de pessoal, de fazer esse investimento, então queremos que isso seja reconhecido.











