E se a conscientização, o cuidado e a prevenção fizessem parte da nossa rotina todos os dias — e não apenas em um momento simbólico do ano?
Desde o início dos anos 2000, uma iniciativa global organizada pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), instituiu o dia 4 de fevereiro como o Dia Mundial do Câncer. A data tem um propósito claro: ampliar a conscientização e a educação sobre a doença, além de mobilizar governos, instituições e a sociedade para o controle do câncer.
Mas a pergunta que fica é: qual é o papel de cada um de nós nessa mobilização?
Para refletir sobre isso, ouvimos parceiros da Liga que atuam profissionalmente dentro e fora da entidade. Eles compartilham como atitudes individuais e ações comunitárias podem fazer a diferença no enfrentamento do câncer.
“Cada pessoa pode fazer a diferença cuidando da própria saúde, se informando e encorajando quem está ao seu redor. Espalhando consciência, apoiando quem enfrenta a doença e unindo forças para que juntos possamos prevenir e vencer o câncer.” Brenda Gomes, psicóloga clínica.
“Cada indivíduo pode contribuir adotando hábitos de vida saudáveis, como uma alimentação equilibrada, a prática regular de atividades físicas e a redução do consumo de álcool e tabaco, além de manter os exames preventivos em dia. No âmbito comunitário, é possível ajudar disseminando informações corretas sobre prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, incentivando familiares, amigos e vizinhos a cuidarem da própria saúde. A participação em campanhas educativas, ações de conscientização e apoio a pessoas em tratamento também fortalece a rede de cuidado, promovendo uma cultura de prevenção, solidariedade e responsabilidade coletiva no enfrentamento do câncer.” Gustavo Marmitt, educador físico.
“Quando olhamos algo sob o ponto de vista das terapias Integrativas, entendemos que a doença é a manifestação de algo que está ligado a vários aspectos da vida deste indivíduo. E a prevenção, por consequência, é obtida quando cuidamos do corpo, do emocional e da mente. Somos formados por estas três estruturas e somente quando olhamos para elas de forma integral, conseguimos o equilíbrio.” Michele Spindler, terapeuta Integrativa.
“Precisamos desenvolver hábitos saudáveis (pensamentos, sentimentos, alimentar e exercícios físicos), a comunidade é a extensão do cidadão. A informação de como praticar esse autocuidado, e quais os protocolos que devemos seguir ao suspeitar de algo anormal em nosso corpo deve chegar à comunidade de forma clara. Esse esclarecimento é responsabilidade de todos: o cidadão que tem esse conhecimento, o município, o estado e a União.” Rose Lemos, psicóloga clínica.
O câncer não se combate apenas com datas, campanhas ou discursos — ele se enfrenta com escolhas diárias. Informação de qualidade, hábitos saudáveis, atenção ao próprio corpo, cuidado com a saúde emocional e apoio a quem enfrenta a doença são atitudes simples, mas profundamente transformadoras.
Não existe fórmula pronta ou solução única. O que existe é a consciência de que prevenir e cuidar é um compromisso contínuo, individual e coletivo. Quando cada pessoa faz a sua parte, a comunidade se fortalece — e o combate ao câncer deixa de ser um evento pontual para se tornar um movimento permanente.
Porque, no fim das contas, combater o câncer deve ser um exercício diário de cuidado com a vida.















