Campo Bom está entre os municípios onde foram cumpridas ordens judiciais da Operação Acerto de Contas, deflagrada na manhã desta quarta-feira (28) pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da Delegacia de Repressão à Lavagem de Dinheiro (Dercap), em conjunto com o Ministério Público do RS, através do Gaeco, e a Receita Estadual.
A operação tem como objetivo desmantelar um esquema estruturado de evasão fiscal e lavagem de capitais, articulado por um profissional da área contábil, que utilizava empresas de fachada e a emissão sistemática de notas fiscais inidôneas para suprimir tributos e ocultar a origem de recursos ilícitos. As investigações apontam que empresas e pessoas ligadas a Campo Bom estão entre os alvos das diligências.
Ao todo, foram cumpridas 261 ordens judiciais, sendo 31 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica por 11 investigados e uma prisão preventiva. Também foram determinadas a apreensão de 30 veículos, o sequestro de 14 imóveis e o bloqueio de ativos financeiros que podem chegar a R$ 225,4 milhões.
Além de Campo Bom, as ordens judiciais foram cumpridas em Porto Alegre, Canoas, Dois Irmãos, Igrejinha, Sapiranga, Araricá, Tramandaí, Capão da Canoa, Gravataí e Guaporé. Durante a ação, foram apreendidos ainda 70 quilos de prata, 13 veículos, incluindo carros de luxo, além de arma de fogo, notebooks, celulares e documentos.
A investigação
De acordo com as autoridades, o nome da operação faz referência ao modo como o principal investigado “ajustava” valores de ICMS não pagos pelas empresas beneficiadas, utilizando créditos indevidos por meio de empresas conhecidas como “noteiras” ou lançamentos sem base contábil-fiscal válida.
As investigações tiveram início a partir de um relatório técnico da Receita Estadual e avançaram com a quebra de sigilos fiscal, bancário e telemático dos envolvidos. Paralelamente, a Polícia Civil já apurava crimes de lavagem de dinheiro ligados a empresas de fachada, o que resultou na deflagração da Operação Livro Caixa, em dezembro de 2024.
Segundo o diretor do Dercap, delegado Cassiano Cabral, há indícios de que o investigado atuava como contador e operador financeiro para mais de uma organização criminosa, prestando serviços especializados de lavagem de capitais, inclusive por meio da simulação de operações comerciais e da ocultação patrimonial.
As autoridades identificaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada, além da aquisição de imóveis e veículos de alto valor, muitos registrados em nome de terceiros. As diligências seguem em andamento e visam interromper as atividades criminosas, ampliar o conjunto de provas e assegurar o ressarcimento dos prejuízos causados ao erário.













