O último final de semana de julho foi de fortes emoções para a invernada Mirim do CTG Palanques da Tradição. Após meses de preparação e ensaios, o grupo viajou a Erechim, no norte do Rio Grande do Sul, para disputar a 3ª edição do Encontro de Artes e Tradição Gaúchas (Enart) Pré-Mirim, Mirim e Juvenil, o popular Enartinho.
Mas o destino reservava algumas surpresas durante o evento. Na quinta-feira (23), o grupo partiu de Campo Bom rumo a Barão do Cotegipe para ensaiar e realizar os últimos ajustes nas coreografias para a competição.
Durante o ensaio, uma das prendas da invernada, Ana Cecília, de apenas 11 anos, queixou-se de fortes dores de cabeça e foi medicada. No entanto, a medicação não surtiu o efeito esperado e a menina começou a passar mal.
Imediatamente, os pais, Elviton e Joice, com o apoio dos professores e coreógrafos, levaram Ana à Unidade Básica de Saúde (UBS) de Barão do Cotegipe para atendimento médico. No local, novas medicações foram administradas, mas o quadro não apresentou melhora. Diante da situação, os profissionais orientaram que a família buscasse atendimento em uma unidade com mais recursos.
Ana Cecília foi então encaminhada ao Hospital da Caridade, em Erechim. Após a realização de uma tomografia, veio o diagnóstico que surpreendeu a todos: a menina havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. Na segunda-feira (27), ela foi transferida via UTI Móvel para um hospital em Passo Fundo, onde segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Na tarde da quarta-feira (29), o pai da menina, Elviton Pereira, atualizou o estado de saúde da filha e trouxe uma notícia animadora. Segundo ele, o exame de angiografia cerebral realizado na manhã de terça-feira (28) descartou a existência de má-formação vascular e de fístula, duas possíveis causas inicialmente consideradas para o quadro.
Além disso, os médicos informaram que não há mais sangramento no cérebro de Ana Cecília, o que representa um avanço importante em sua recuperação.
A próxima etapa do tratamento será identificar o que provocou o AVC hemorrágico. Para isso, a menina seguirá sendo acompanhada pelas equipes de hematologia e neurologia, que darão continuidade à investigação e definirão a conduta médica adequada.
De acordo com Elviton, o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) auxilou a família com as despesas de hospedagem durante a internação. Uma corrente de solidariedade também se formou entre membros de entidades tradicionalistas de todo o Estado para apoiar a família.
No último sábado (1º), Ana Cecíli recebeu a tão esperada alta e pode, enfim, seguir o restante da recuperação e do tratamento em casa. A informação foi divulgada pela família por meio das redes sociais.

O Pau de Fitas
Além da internação da pequena Ana Cecília, o final de semana reservava ainda muitas emoções para a invernada Mirim do Palanques da Tradição. Na classificatória do Enartinho, no sábado (25), o grupo se classificou para a grande final da competição, com a segunda melhor nota geral nas danças, sendo considerado um dos grandes favoritos ao título.
Os peões e prendas brilharam no tablado durante as apresentações da final, desde a coreografia de entrada até as danças tradicionais. No entanto, o destino reservava mais uma surpresa para o grupo na última dança tradicional, já na noite do domingo (26).
Durante a coreografia do Pau de Fitas, uma das mais esperadas da grande final, a fita de uma das prendas do grupo se desprendeu do mastro. O imprevisto é critério de perda de pontos na avaliação geral, o que compromete a classificação. Ainda assim, a pequena Betina Rossi Spengler seguiu a coreografia, dançando lindamente, sorrindo mesmo sem conter as lágrimas, e mantendo o braço erguido, como se ainda segurasse a fita.
Bastou a música finalizar, para a emoção tomar conta do grupo. Peões e prendas se abraçaram e consolaram uns aos outros pela fatalidade que comprometeu a classificação da invernada entre os primeiros da competição.
Ainda que o resultado final não tenha sido o esperado, o Palanques da Tradição trouxe para casa o maior prêmio da noite: o orgulho que despertou nos professores, familiares, avaliadores e toda a comunidade campo-bonense, que aplaudiu de pé a apresentação.
O professor e coreógrafo do grupo, Diego Moro, não conteve a emoção ao final da noite e acolheu os alunos com uma mensagem de muito orgulho. “Eu não tenho palavras para agradecer o que vocês fizeram nesse final de semana. Eu estou muito feliz e muito orgulhoso por vocês terem vindo e dado o melhor de vocês”, destacou.
“Isso é só mais um capítulo da nossa história. A gente venceu porque fez um trabalho lindo, foi verdadeiro, e as pessoas reconheceram o nosso trabalho. O troféu ficaria na prateleira do CTG, mas o que a gente conquistou aqui, ninguém nunca vai esquecer”, reforçou o professor, que finalizou incentivando os alunos. “A gente vai trabalhar e, na próxima, vamos voltar melhores”, afirmou Diego.
O vídeo da apresentação viralizou nas redes sociais, e a comunidade campo-bonense e de todo o Estado deixou milhares de mensagens de apoio ao grupo, destacando a resiliência, maturidade e encanto das crianças, especialmente de Betina. Em seu perfil no Instagram, a prendinha publicou um vídeo agradecendo pelo carinho recebido. “Nós queríamos muito ter trazido esse troféu pra casa, mas infelizmente não deu. Por outro lado, trouxemos aprendizados que vamos levar para a vida. Vamos continuar nos dedicando e ensaiando, porque ano que vem tem mais”, destacou Betina.

O brilho de Siéli
Não seria justo que um ano de preparação intensa para uma das principais competições do tradicionalismo fosse marcada apenas por frustrações para o Palanques da Tadição. E não foi.
Siéli Caroline Monteiro Prado, de 17 anos, participante do CTG há 10 anos, brilhou mais uma vez e coroou o final de semana de Enartinho com um título merecido. A prenda sagrou-se bicampeã da categoria intérprete solista vocal prenda juvenil, disputada com outras 16 participantes, das quais 15 avançaram para a finalíssima, realizada no domingo. Em meio a um cenário de alto nível, Siéli destacou-se entre as concorrentes, celebrando não apenas o resultado, mas também a oportunidade de dividir o palco com outras jovens talentosas.
Emocionada, a prenda ressalta o privilégio de viver a música e representar, por meio de sua voz, o CTG Palanques da Tradição e tantas pessoas que a apoiam. “Agradeço ao meus pais, Elis e Silvio, meu professor João e as crianças mirins que, com tanto carinho, me apoiaram até o último segundo”, destaca Siéli.







