Um diagnóstico que transformou a vida de toda uma família e se tornou um testemunho de fé, união e amor inabalável. Assim pode ser resumida a história da campo-bonense Silvia Cimi, de 63 anos.
Em 21 de novembro de 2025, Silvia foi diagnosticada com adenocarcinoma de endométrio em um momento extremamente delicado. Ela deu entrada no hospital em estado grave, com hemorragia ativa e hemoglobina em apenas 5,2 g/dL (o parâmetro para mulheres adultas é de 11,7 a 16,0 g/dL), um quadro que elevava consideravelmente os riscos cirúrgicos. O cenário emocional também era desafiador: Silvia já havia perdido três irmãos e um sobrinho para o câncer.
Desde então, enfrentou uma jornada intensa de tratamento. Passou por cirurgia, internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e inúmeros exames, além de seis sessões de quimioterapia e 25 de radioterapia. O próximo passo serão quatro sessões de braquiterapia, iniciadas na última quarta-feira (8). Ao lado do cirurgião ginecologista Dr. Amadeu Simioni Rohnelt Filho, do oncologista Dr. Rommel Pereira e de tantos outros profissionais que acompanharam de perto cada etapa, Silvia destaca um elemento essencial nessa caminhada: o apoio da família.
Emocionada, ela relembra os primeiros dias. “Eu estava deitada na maca do hospital, ainda na emergência, aguardando um leito para internação. Lembro de olhar para o chão e ver meu filho, André, deitado em uma toalha, no chão duro, sem travesseiro”, conta. “Foi dali que eu tirei forças para lutar contra a doença. Por ele e pela minha filha”, completa.
A união familiar fez toda a diferença ao longo dos mais de sete meses de tratamento. Mas houve também um pilar fundamental: a fé. André relata que, durante as sessões de quimioterapia, sentia a presença de Deus por meio de aves que pousavam na janela. Em determinado momento, o local das sessões mudou e isso deixou de acontecer. “Fiz uma oração e pedi para Deus me mostrar que estava ali conosco. Foi quando olhei pela janela e vi uma nuvem com a forma exata de uma fênix”, lembra. Coincidência ou não, a ave é o símbolo da escola de dança Age Movement, empresa de André, onde Silvia encontrou refúgio durante os dias angustiantes de tratamento.
Com bom humor e esperança, Silvia celebrou um dos marcos mais importantes dessa trajetória na última semana. Ao concluir a 25ª sessão de radioterapia, comemorou ao lado do filho fazendo o que ele mais ama: dançar. A coreografia, compartilhada de forma espontânea nas redes sociais, alcançou milhares de pessoas. “Nós sempre falamos que a dança cura, e agora estou vendo isso acontecer dentro da minha casa, com a pessoa que me incentivou a dançar”, relata André, professor de dança.
Agora, mãe e filho seguem de mãos dadas rumo à etapa final do tratamento, deixando uma mensagem especialmente às mulheres. “O pré-câncer pode salvar uma vida. Fazer os exames de rotina e procurar ajuda ao menor sinal de alerta faz toda a diferença”, destaca Silvia. “Espalhe essa mensagem”, reforça André. A família também ressalta a importância de manter hábitos saudáveis, com alimentação equilibrada e prática regular de atividades físicas, fortalecendo o corpo para enfrentar desafios como o câncer.
Mais do que uma história sobre doença, a trajetória de Silvia é um lembrete poderoso sobre a força que nasce do amor, da fé e da presença de quem caminha ao nosso lado. Em meio às incertezas, ela encontrou na família o motivo para seguir, na espiritualidade o conforto para acreditar e, na própria coragem, a certeza de que é possível renascer todos os dias, mesmo diante das batalhas mais difíceis.














