WhatsApp vira ferramenta de criminosos que aplicam o “golpe do falso advogado” na região

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Casos de tentativa e consumação de estelionato envolvendo o chamado “golpe do falso advogado” têm se tornado cada vez mais frequentes em Campo Bom e região. Criminosos se passam por advogados ou por integrantes de escritórios de advocacia, utilizando números falsos de WhatsApp, para entrar em contato com clientes que aguardam decisões judiciais.
Na abordagem, os golpistas informam, de forma fraudulenta, que o processo teve andamento favorável e que, para a liberação de documentos, valores ou indenizações, seria necessário o pagamento de taxas extras. Durante a conversa, também solicitam dados pessoais e bancários das vítimas, ampliando ainda mais os prejuízos.


A prática criminosa se aproveita do fato de que os processos judiciais tramitam de forma pública. Por meio do site do Tribunal de Justiça, é possível acessar informações processuais e dados das partes envolvidas, o que facilita a atuação dos estelionatários. Além disso, os criminosos têm utilizado métodos mais sofisticados, como a clonagem de logins de advogados, conseguindo acesso a informações ainda mais sensíveis.
Somente em nome do escritório do advogado campo-bonense Deivis Klein, mais de 20 tentativas de golpe já foram registradas. Na maioria dos casos, os clientes desconfiaram da abordagem e buscaram confirmação diretamente com o escritório, seja de forma presencial ou por meio dos contatos oficiais. “Essa prática tem se tornado diária, não somente comigo, mas com cerca de 90% dos profissionais. Reforçamos para os clientes que entramos em contato somente através dos nossos canais oficiais. E jamais o escritório solicita qualquer valor para liberar alvarás ou qualquer indenização”, alerta o advogado.


Um morador de Campo Bom, que prefere não ser identificado, foi uma das vítimas do golpe consumado. Ele foi acionado através do WhatsApp, supostamente pelo advogado, com a informação de que a indenização aguardada teria sido liberada e a orientação de chamar outro contato, que seria do Ministério Público. “Fui ludibriado, esperançoso por receber o valor que estou aguardando”, conta ele, lamentando a contratação de um empréstimo em sua conta bancária durante o golpe. “A sorte é que o limite de transações do dia excedeu e não liberou a transferência do valor total do empréstimo. Agora, estou tentando fazer com que o banco cancele o empréstimo”, afirma.


A Ordem dos Advogados do Brasil – Rio Grande do Sul (OAB/RS) tem emitido alertas constantes sobre o crescimento desse tipo de crime. O advogado Deivis Klein, que também atua como delegado da OAB em Campo Bom, reforça que advogados não solicitam pagamentos por WhatsApp ou redes sociais, nem pedem dados pessoais fora dos meios formais. A entidade, inclusive, ingressou com ação civil pública visando o combate ao golpe e a responsabilização de plataformas utilizadas pelos criminosos. Na ação, a OAB/RS requer, entre outras medidas, a implementação de verificação de identidade com reconhecimento facial, a criação de um certificado digital exclusivo para a advocacia, a disponibilização de um canal prioritário 24h para denúncias, o bloqueio imediato do número denunciado, a detecção automática de perfis fraudulentos, a exibição de selo visual de verificação nos perfis e a realização de campanhas de conscientização em âmbito nacional com eventos educativos.


A orientação à população é clara: ao receber qualquer mensagem suspeita, o contato deve ser interrompido imediatamente, buscando confirmação diretamente com o advogado ou escritório pelos canais oficiais, evitando prejuízos financeiros e a exposição de dados pessoais.

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