Há 200 anos, um dos primeiros imigrantes alemães se instalava em terras campo-bonenes

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Philip Blos (sexto filho de Johannes Blos) sua esposa, filhos e netos

Em fevereiro de 1826, um jovem alemão de 26 anos chegava a Campo Bom carregando pouco mais do que coragem, trabalho e esperança. Seu nome era Johannes Blos, e sua história se confunde com as próprias origens do município, ajudando a construir as bases culturais, econômicas e sociais que moldaram a cidade ao longo de dois séculos.
Johannes partiu de navio da Alemanha em agosto de 1825, em busca de oportunidades no Brasil, integrando o movimento de imigração incentivado pelo Imperador Dom Pedro I, que buscava ocupar e fortalecer o Sul do país. Assim como tantos outros imigrantes, Johannes encontrou no Rio Grande do Sul a chance de recomeçar.
Após desembarcar em São Leopoldo, em janeiro de 1826, Johannes logo seguiu para Campo Bom (à época, ainda um distrito da cidade do Vale do Sinos), fixando-se no então chamado Morro das Pulgas, atual bairro Rio Branco. Ali, tornou-se um dos primeiros imigrantes alemães a se estabelecer no território. Agricultor por vocação e empreendedor por necessidade, instalou uma olaria e um moinho, atividades fundamentais para a subsistência das famílias e para o desenvolvimento da comunidade nascente.

Ao lado da esposa, Johanna Phillipina Bauermann, Johannes construiu não apenas uma família numerosa, com 13 filhos, mas também um legado que atravessou gerações. Ao longo desses 200 anos, seus descendentes espalharam-se por Campo Bom e pela região, ajudando a formar a identidade de uma cidade que cresceu a partir do trabalho, da solidariedade e da perseverança.
A presença da família Blos está registrada na própria geografia do município, que foi emancipado somente depois de 133 anos, em 1959. O bairro Porto Blos carrega o nome da família por ter sido, às margens do Rio dos Sinos, ponto de chegada e partida de embarcações que transportavam alimentos, ferramentas e produtos trocados com cidades vizinhas, como São Leopoldo. A memória de Johannes também vive na Escola Estadual de Ensino Fundamental João Blos, homenagem permanente a um dos pioneiros da imigração local.
Jurandir Blos, um dos descendentes de Johannes, fala com orgulho da trajetória da família e sua importância na história de Campo Bom. “Meu pai era um aficionado pela história e guardava com muito carinho. É extremamente importante que as pessoas e, principalmente, as crianças, conheçam a história de onde vieram”, destaca.
Celebrar os 200 anos da chegada de Johannes Blos a Campo Bom é celebrar a história de milhares de famílias que ajudaram a construir a cidade. É reconhecer o valor da imigração, do trabalho coletivo e da memória como pilares do presente e inspiração para o futuro. Um legado que segue vivo, pulsando em cada bairro, em cada sobrenome e em cada história que faz de Campo Bom um lugar de pertencimento.

Túmulo de Johannes no Cemitério Municipal ao lado da Paróquia Santa Teresinha

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