Entre denúncias e prisões, violência contra a mulher segue como alerta permanente em Campo Bom

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Enquanto o Rio Grande do Sul encerrou janeiro de 2026 com o registro de 11 feminicídios, dado que evidencia a gravidade da violência contra a mulher no Estado, a realidade de Campo Bom também exige atenção. Mesmo com baixos índices de feminicídios consumados, os números de atendimentos e prisões revelam que a violência doméstica segue presente e precisa ser enfrentada de forma contínua.


Somente no mês de janeiro, a Guarda Municipal de Campo Bom (GMCB) atendeu 10 ocorrências de violência doméstica e contra a mulher, sendo que quatro resultaram em prisões em flagrante. Os dados expõem situações de risco que, se não interrompidas, podem evoluir para desfechos ainda mais graves, reforçando a importância da atuação rápida das forças de segurança.


Segundo o secretário municipal de Segurança, Fernando Lehnen, embora nenhuma das ocorrências tenha gerado solicitação formal de acompanhamento contínuo pela Patrulha Mulheres Protegidas, a Guarda mantém vigilância ativa nas regiões onde os fatos foram registrados. “As guarnições possuem o mapeamento das ocorrências, o que permite intensificar o patrulhamento nas proximidades. Além disso, os chamados pelo 153 envolvendo mulheres ameaçadas ou em situação de agressão são prioridade absoluta”, afirma.


Para ele, no entanto, a resposta policial por si só não é suficiente para romper o ciclo da violência. Ele defende ações que vão além do atendimento emergencial, como a submissão de agressores a grupos reflexivos, políticas de autonomia e independência para as mulheres e, principalmente, investimento em educação. “Precisamos preparar nossos jovens, especialmente os meninos, para compreender que a mulher não é objeto de posse, mas uma pessoa livre, que deve ser respeitada”, destaca.


Na Polícia Civil, os atendimentos relacionados à violência contra a mulher seguem rígidos protocolos legais. Conforme explica o delegado Rodrigo Câmara, dados específicos sobre ocorrências e medidas protetivas não podem ser divulgados por envolverem informações sigilosas. Ainda assim, ele ressalta que os baixos índices de feminicídios consumados em Campo Bom são resultado de um esforço coletivo. “A atuação integrada da Polícia Civil, Brigada Militar e Guarda Municipal é fundamental, assim como o trabalho do Ministério Público, do Município e da rede de proteção social, além da conscientização das vítimas em buscar ajuda”, pontua.


A Polícia Civil atua desde o primeiro atendimento, com acolhimento humanizado às vítimas, especialmente por meio da Sala das Margaridas. A partir do registro da ocorrência, são adotadas todas as providências legais, incluindo investigações, pedidos de medidas protetivas e, nos casos mais graves, representações por prisões preventivas. Somente no ano passado, dezenas de pedidos de prisão preventiva foram formalizados em Campo Bom contra autores de violência doméstica.


Além do Ligue 180, as mulheres podem procurar qualquer Delegacia de Polícia, acionar o 190 em situações de emergência, utilizar o 181 – Disque-Denúncia, o 197 ou a Delegacia Online da Mulher. “A violência não começa no feminicídio. Não é preciso esperar o pior para buscar ajuda”, reforça o delegado.
Em um cenário estadual alarmante, Campo Bom demonstra capacidade de resposta, mas os dados deixam claro que a violência contra a mulher segue sendo uma realidade que precisa ser denunciada, combatida e enfrentada diariamente. Mais do que números e prisões, o desafio é romper o silêncio e impedir que novas histórias terminem em tragédia.

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