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No ritmo do saber: Projeto piloto utiliza o Hip Hop como ferramenta pedagógica

Destaque No ritmo do saber: Projeto piloto utiliza o Hip Hop como ferramenta pedagógica Angélica Spengler/AG

A inserção da cultura popular na grade curricular das escolas pode ser a chave de alguns problemas estruturais no sistema brasileiro de educação, como a evasão e o abandono escolar e o bullying. Conversar com os estudantes utilizando a linguagem que eles conhecem é a forma que o projeto piloto "RAPensando a educação" está levando a cultura hip hop para dentro da sala de aula como instrumento de ensino. Desenvolvido através da parceria entre Wesley Sales do grupo Além dos Muros e a professora de música Mayara Leal e, conta ainda com o apoio das professoras de português Natália Silva e Tereza de Carvalho. “ A proposta é disponibilizar uma aula diferente, feita de estudante para estudante. O Hip Hop mudou minha vida e acredito que ele pode mudar a vida de outras pessoas, precisamos mostrar que o hip hop é uma ferramenta para transformar a vida dos jovens, precisamos usar o rap para fazer o bem”, comentou Wesley Sales.
As oficinas do projeto estão sendo desenvolvidas inicialmente na Escola Municipal de Ensino Fundamental Borges de Medeiros, no bairro Celeste onde 408 alunos do 6º ao 9º ano participam das aulas desde o dia 22 de abril. "Acredito que, ao levar essa linguagem para dentro das escolas, a comunicação com os estudantes pode acontecer de forma mais natural, com menos resistência ou preconceitos. Queremos aproximar os alunos da escola e o hip hop é uma ferramenta de aproximação e diálogo”, explica a professora de música Mayara Leal.


TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Mas, afinal, qual a vantagem de utilizar o hip hop na aprendizagem? “O rap é um dos ritmos com mais penetração nas comunidades carentes. Na verdade, falamos a mesma coisa que muitos pais e professores também falam, mas com o ritmo que os jovens ouvem e se identificam. Essa é uma vantagem”, opina Sales, que desenvolve as oficinas voluntariamente.
Para Mayara, é importante utilizar essa cultura nas escolas pois estimula os jovens a se posicionar diante das adversidades. “O próprio hip hop nasceu de movimentos de resistência nas periferias, onde estão os menos favorecidos. Quando se trabalha o hip hop a favor da aprendizagem, coloca-se essa cultura no lugar que é dela, a favor dos territórios educativos. As crianças e os jovens crescem fazendo uso de sua capacidade de pensar, de indagar-se e indagar, de duvidar, de experimentar”, argumenta a professora.
As oficinas são didáticas e abordam temas como a produção musical, a escrita dos poemas, as letras dos MC's, como cantar e os tipos de rimas, onde os estudantes são instigados a criar e se expressar falando de temas que antes não eram tratados em sala de aula. Aspecto que para a professora Tereza de Carvalho está transformando os alunos. “O principal de se trabalhar com projeto é o “fazer/produzir”, que possibilita a criatividade dos alunos e motiva para uma aprendizagem de qualidade, voltada para o desenvolvimento integral dos estudantes. E através dessas aulas, temos alunos realizados e transformados. Já notamos as diferenças comportamentais e o interesse pela busca de conhecimento”, revela.

ALÉM DA SALA DE AULA

As oficinas do “RAPensando a educação” encerram no mês de junho com um grande festival no próximo dia 19, a partir das 7h30min, onde os estudantes irão apresentar suas músicas para uma banca avaliadora. “Na final, das 30 músicas produzidas em sala de aula, 15 serão selecionadas e irão compor o CD “Hip hop educação” que será distribuído para a comunidade escolar”, revela Sales, que completa “Além do CD estamos gravando um documentário sobre todas as fases do projeto”.
Em busca de angariar fundos para a gravação do primeiro CD do projeto, estudantes e os coordenadores da iniciativa estão mobilizando a internet. Uma vaquinha virtual foi lançada no final do mês de abril. O valor para a produção do CD é de R$ 1.000,00, e até o momento não foram arrecadados nem 25% deste montante.
Se você quiser colaborar com o RAPensando a educação utilize o código QR Code para acessar a página da vaquinha.

ELES DISSERAM

“Pra mim está sendo uma experiência muito boa. Sempre ouvimos falar coisas ruins do rap, aqui podemos provar que não é bem assim. Ele é uma forma de expressão e cultura. Através dele podemos falar e sermos ouvidos”. Emilly dos Santos, 12 anos.

“Com as aulas de hip hop temos a oportunidade de criar. De falar coisas que antes não eram conversadas nas aulas”. Marcelo Soares, 12 anos

“O projeto me trouxe muito aprendizado, coisas que não imaginava que faziam parte da cultura hip hop hoje fazem parte do nosso dia a dia, e, com certeza os princípios e a vontade de nunca desistir dos nossos sonhos vamos levar para a vida toda”. Iandra Lauxen, 14 anos

“Foi através das aulas de hip hop que me senti à vontade para falar coisas que me deixavam desconfortável dentro da sala de aula. A partir daí começamos a debater temas que antes não eram abordados”. Maria Eduarda da Cruz, 14 anos

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